<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334</id><updated>2012-02-16T19:53:54.458-08:00</updated><title type='text'>-</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>30</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-752108114232669032</id><published>2010-04-26T00:46:00.000-07:00</published><updated>2010-04-26T18:37:03.963-07:00</updated><title type='text'>HannaH</title><content type='html'>Hoje o Inferno fez as malas e saiu do Passado só para me visitar.&lt;br /&gt;Entrou sem que eu percebesse...&lt;br /&gt;Cutucou-me na cabeça e me acordou de sonhos felizes, que pareciam reais, para que eu lhe fizesse companhia.&lt;br /&gt;Contou-me novidades já sabidas; desconfiadas, que saíam da neblina da Incerteza.&lt;br /&gt;Por depois, foi-se. E mesmo indo, jamais se vai. Sua ausência é uma presença, e sua presença uma dor.&lt;br /&gt;O Passado que teima em se fazer presente, sussurra-me ao ouvido enquanto durmo. Acorda-me com voz de sadismo. Sentado ao pé da cama uma figura disforme que não é um espelho, mas é como se fosse. Com os olhos doentios famintos que me fitam e me dizem sem falar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não adianta se esconder. Não adianta fingir que não existo. Por mais que me esqueça, eu nunca deixarei me esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JMOTTËR, São Paulo, 26 de Abril de 2010, Segunda-Feira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-752108114232669032?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/752108114232669032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=752108114232669032' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/752108114232669032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/752108114232669032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2010/04/inferno.html' title='HannaH'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-4041934554134702401</id><published>2010-04-01T06:17:00.000-07:00</published><updated>2010-08-20T19:43:36.973-07:00</updated><title type='text'>ALLAN</title><content type='html'>Tentar fugir do se pensar: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ora no passado, com o Allan e a Wander. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ora no futuro, sem nenhum rosto familiar. Mas amando a todos como outrora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que farei de Agora?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-4041934554134702401?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/4041934554134702401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=4041934554134702401' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/4041934554134702401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/4041934554134702401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2010/04/allan.html' title='ALLAN'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-4855990845799553677</id><published>2009-12-27T23:59:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T17:01:50.693-08:00</updated><title type='text'>O vôo da pantera vermelha</title><content type='html'>O velho sentado na cadeira de balanço à varanda ideal &lt;br /&gt;Pensava... &lt;br /&gt;Sem se dar conta de estar pensando. &lt;br /&gt;Pensava... &lt;br /&gt;Mesmo sem saber que se podia pensar. &lt;br /&gt;Tampouco saber que se pode dizer o que se pode pensar, &lt;br /&gt;-E se pode?- &lt;br /&gt;Nem que o que se pensa possa existir, &lt;br /&gt;E que há palavras para traduzir pensamentos, ainda que de forma pífia. &lt;br /&gt;Pensava sem prestar atenção no que estava pensando. &lt;br /&gt;Pensava sem realmente saber o que estava pensando. &lt;br /&gt;Adentrava em reflexões profundas de pensamentos vazios, &lt;br /&gt;Simplesmente adentrava numa onda invisível, &lt;br /&gt;Demasiada aconchegante. &lt;br /&gt;Deixava-se ir por completo, &lt;br /&gt;Era pela primeira vez completo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“- A Terra é até onde meus olhos alcançam, não é redonda! &lt;br /&gt;Posso ver morros, vacas nos morros, uma igrejinha em um morro, &lt;br /&gt;Mas não o que há por detrás do morro. &lt;br /&gt;A Terra é plana para mim, é onde vivo... &lt;br /&gt;Há tanta gente na Terra, tantos pensamentos pensados em tantas línguas distintas, &lt;br /&gt;E dizem que ela é um pontinho só no Sistema Solar, que está na Via Láctea. &lt;br /&gt;Há bilhões de estrelas na Via Láctea... &lt;br /&gt;Ela tem este nome porque alguns gregos há milhares de anos, neste mesmo planeta girante, mas não onde meus olhos possam alcançar, - mesmo que tal fato se desse neste morro à minha frente-, achavam que suas estrelas aparentavam o rastro de leite derramado. &lt;br /&gt;Leite que sai de animais como aquelas vacas que estão neste morro à minha frente. &lt;br /&gt;Esses gregos só existem por minha causa, &lt;br /&gt;Assim como este morro, estas vacas, aquela igrejinha e o próprio Cristianismo com seu Deus, &lt;br /&gt;Pois; sem mim, para mim nada existiria. &lt;br /&gt;E tão certo é dizer que nada existiria para qualquer outro se este não existisse. &lt;br /&gt;Só há morros, vacas, igrejas, Terra e Universo porque há quem se dê por eles. &lt;br /&gt;E são tantos quanto tantos Universos possam existir, &lt;br /&gt;Cada um com um Universo para si pensando ser o mesmo para todos. &lt;br /&gt;A Terra é demasiada cheia de pensamentos, pessoas, Eras, vacas, igrejas e morros; que se afirmar qualquer coisa é muita presunção. &lt;br /&gt;Quem sou eu para dizer uma verdade, mesmo a que meus olhos vêem? &lt;br /&gt;A Terra é plana porque assim a vejo, mas o que vejo dizem que é uma mentira. &lt;br /&gt;Compreender é ter a ir que pensar que jamais haverá compreensão. &lt;br /&gt;E qualquer coisa além disso é muita presunção. &lt;br /&gt;Tudo é uma mentira sem deixar de ser uma verdade. &lt;br /&gt;A Via Láctea é um pontinho no Universo. &lt;br /&gt;Há o tempo diferente em que as coisas se dão, e espaços diferentes para se dar outras coisas também. &lt;br /&gt;Este mesmo morro à minha frente não é o mesmo morro de ontem porque ocorrem coisas distintas daquelas. &lt;br /&gt;Aquelas não são as mesmas vacas ainda que façam as mesmas coisas e guardem perfeita semelhança com as de ontem. &lt;br /&gt;Eu não sou o mesmo de ontem, de uma hora antes, de um segundo, de um lapso temporal menor que a menor coisa que possa existir, até vir a coincidir em mim mesmo... &lt;br /&gt;Aí então, eu não sou eu, e Nada não é nada. &lt;br /&gt;E as coisas acontecem guardando semelhanças com algo invisível que não as deixam desgarrar do Universo, e existem porque os olhos vêem! &lt;br /&gt;Mas os olhos pensam que a Terra é plana e que as Estrelas são vaga-lumes. &lt;br /&gt;No entanto, ao redor das Estrelas, há tantos outros planetas girantes como este aqui, quem sabe até este mesmo!, em um tempo que meus olhos jamais poderão alcançar, -estão lá, mas não posso ver-, com um velho pensante que já deixou de existir com seu próprio planeta. &lt;br /&gt;Assim como eu a meu tempo, mas é natural acreditar que não. &lt;br /&gt;Todo passo dado é rumo ao desconhecido. &lt;br /&gt;- Envelhecer é viver tudo aquilo que já se foi vivido no mesmo instante em que se tem de caminhar para o desconhecido-. &lt;br /&gt;Todo caminho trilhado é sem volta. &lt;br /&gt;Pensando se estar voltando, está-se andando adiante na escuridão, &lt;br /&gt;Rumo nem a uma verdade e nem a uma mentira que os olhos ainda não podem ver. &lt;br /&gt;Por detrás do morro o Sol vai desaparecendo e já não posso ver as vacas e a igrejinha, mas elas estão lá. &lt;br /&gt;O Universo que estava invisível vai se abrindo em uma noite estrelada como um milhão de vaga-lumes. &lt;br /&gt;O fim do dia é o fim do Mundo. &lt;br /&gt;Quem garante que o Sol vai voltar amanhã? &lt;br /&gt;Só porque ele sempre voltou todos os dias? &lt;br /&gt;Não há passos rumando para lugar conhecido algum, todo dia é uma novidade. &lt;br /&gt;Quem garante que aquilo que os olhos vêem, ou não, exista, que eu exista? &lt;br /&gt;Mas se não eu, quem está pensando em meu lugar? &lt;br /&gt;Os pensamentos são uma realidade mais forte que qualquer morro, vacas, igrejinhas, planetas ou estrelas...” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, &lt;br /&gt;Sem saber estar pensando, &lt;br /&gt;Nem imaginar levar à tona pensamentos comuns, &lt;br /&gt;Tão naturais que se confundem com qualquer ser, &lt;br /&gt;Fumando um cigarro, como recompensa de si para si por nada, &lt;br /&gt;O velho na cadeira de balanço à varanda ideal chegava a Descartes sem nunca ter ouvido falar dele, &lt;br /&gt;Escrevia filosofias em seus pensamentos que são comuns a toda (a) humanidade, &lt;br /&gt;Desvendava a Física de Einstein sem também nunca ter escutado tal nome, &lt;br /&gt;Mas que todos intuem. &lt;br /&gt;A Terra já lhe parecia um lugar demasiado feliz para ser deixado, &lt;br /&gt;Mas o Universo, que não era feliz nem triste, construía-se-lhe em exatidão, e era demasiado aconchegante para ser recusado. &lt;br /&gt;Não havia mais passos rumo ao desconhecido neste Universo que o perfazia, &lt;br /&gt;Não havia mais o indefinido, pensamentos impronunciáveis... &lt;br /&gt;Pois tudo o que se pensava já era dito numa língua perfeita. &lt;br /&gt;O velho fumando a Terra, a todo seu tempo, em seu cigarro quase acabado, na cadeira de balanço à varanda ideal, constituía-se no Universo e o Universo em si no balançar de sua cadeira. &lt;br /&gt;O semi-analfabeto velho já era então invencível, estava acima das forças naturais da Física de qualquer Einstein, das verdades e mentiras filosóficas de qualquer Descartes. &lt;br /&gt;Sem saber que sabia... &lt;br /&gt;Pensando... &lt;br /&gt;Sem reparar que pensava...&lt;br /&gt;Sem saber no que havia pensando,&lt;br /&gt;Tampouco lembrar o tanto de idéias sobre as coisas que acabara de pensar,&lt;br /&gt;-Dava preguiça tentar lembrá-las, era melhor ir as esquecendo até não mais sabê-las-. &lt;br /&gt;-Pensar talvez seja ato à parte de existir...- &lt;br /&gt;O Velho compreendia, sem nunca terem lhe ensinado, sobrepujava a Einstein e Descartes sem ninguém nunca saber,&lt;br /&gt;que o perfeito é aquilo que está acabado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JMottër, Maceió, 28 de Dezembro de 2009, Segunda-Feira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-4855990845799553677?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/4855990845799553677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=4855990845799553677' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/4855990845799553677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/4855990845799553677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2009/12/o-voo-da-pantera-vermelha.html' title='O vôo da pantera vermelha'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' 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vida, lembro dos três como a três estranhos que nunca quiseram dizer nada, nunca existiram, &lt;br /&gt;Todos lembranças de um sonho tranqüilo...&lt;br /&gt;São todos eu!&lt;br /&gt;Três fantasmas que deram em mim.&lt;br /&gt;Olho para eles como a um espelho que nada reflete;&lt;br /&gt;Olho para eles e vejo este quem os sucedeu como um estranho;&lt;br /&gt;Olho para eles tentando entender...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vim parar aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JMottër, Maceió, Domingo, 12 de Julho de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-6028475213731435389?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/6028475213731435389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=6028475213731435389' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/6028475213731435389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/6028475213731435389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2009/07/tres-fantasmas.html' title='Três fantasmas'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' 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Ciência,&lt;br /&gt;Pessoas das Letras,&lt;br /&gt;Platões da Filosofia&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Não escrevo o que sinto,&lt;br /&gt;Se pudesse assim o faria.&lt;br /&gt;Sou falso como tudo aquilo que escrevo,&lt;br /&gt;Intersecção fútil entre duas facetas,&lt;br /&gt;A verdade que há em mim e a mentira que falo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há gente em Mianmar,&lt;br /&gt;É certo que há.&lt;br /&gt;Tão reais quanto eu!&lt;br /&gt;Nunca vi Mianmar,&lt;br /&gt;Nunca fui a Mianmar,&lt;br /&gt;Muito provavelmente nunca irei a Mianmar!&lt;br /&gt;Deixaria, por isso, de existir Mianmar?&lt;br /&gt;Mas há gente tão real quanto eu por lá!&lt;br /&gt;Têm filhos, irmãos, pais, amigos...&lt;br /&gt;Vão a escolas, a seus trabalhos, divertem-se...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devem escrever poemas em Mianmar,&lt;br /&gt;Numa língua estranha.&lt;br /&gt;-Estranha seria a minha língua por lá-&lt;br /&gt;Um aglomerado de símbolos sem significado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei achar Mianmar no mapa,&lt;br /&gt;Fica no sudeste de Ásia, no Pacífico.&lt;br /&gt;Imagino as praias de lá.&lt;br /&gt;Sei que Mianmar já fora a Grande Indonchina, parte de França.&lt;br /&gt;Depois Birmânia, submissa à Inglaterra.&lt;br /&gt;Hoje Mianmar.&lt;br /&gt;Todos parte de uma realidade invisível e impossível para mim,&lt;br /&gt;Todos com filhos, irmãos, pais, amigos...&lt;br /&gt;Todos tão reais e tão impossível quanto eu.&lt;br /&gt;Gente de olhos puxados,&lt;br /&gt;Por impulso há de se pensar tal coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca vi Mianmar.&lt;br /&gt;Mianmar é uma mentira,&lt;br /&gt;É apenas um desenho no mapa.&lt;br /&gt;A fronteria da verdade com a mentira é até onde meus olhos alcançam,&lt;br /&gt;É de onde sou (Mianmar está por depois dela).&lt;br /&gt;Lá somos todos partes de uma só realidade,&lt;br /&gt;Filhos de Indonchina,&lt;br /&gt;Irmãos de Mianmar,&lt;br /&gt;Pais de Birmânia, &lt;br /&gt;E amigos de Brasil.&lt;br /&gt;Não há lá poemas em línguas estranhas,&lt;br /&gt;Pois todos os poemas são os do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     JMottër, São paulo, 05 de Abril de 2009, Domingo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-8865358251736917054?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/8865358251736917054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=8865358251736917054' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/8865358251736917054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/8865358251736917054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2009/04/mianmar.html' title='Mianmar'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-2255996476954268803</id><published>2009-01-19T22:30:00.001-08:00</published><updated>2009-01-20T21:14:27.015-08:00</updated><title type='text'>À minha linda Squilindra</title><content type='html'>Se lhe escrevo é porque já foi escrito. Cravado na eternidade. Em mim. Perdoe-me se lhe apareço megalomaníaco; pois, assim é que se apresentam sentimentos. Escrevo-lhe poemas em segredo que serão de toda humanidade. Por hora seu. Para sempre seu. Escrevo-lhe porque é a você que amo. Amei. Amarei. E a toda humanidade resta saber disso. Já que ainda saibam. Que meu amor não coube em mim e transcendeu todo meu ser. Todo o mundo. Todo o Universo. Tudo que está a por nos saber. Todo o meu tempo. Que fui o tolo. Que fui amado como ninguém foi. E Será. Que fui feliz e dispensei. Que fui triste, e em se ser triste não basta se dispensar. Sou um gênio ao lhe escrever. Resta a todos saberem disso. Saberão e terei toda a razão. Saberão de que se trata da melhor dama que já existiu. Embriagado de orgulho e ébrio com outras coisas mais. Amo. Amo. Amo. E me queima amar-lhe. Quero ser teu por toda minha vida. Por todo o tempo por depois de minha vida. Do que sou. Do que fui. Do que serei. Quero que saibam que a amei mais do que qualquer um puder saber. Mais do que qualquer palavra nesta ou noutra língua escrita. Mais que qualquer sentimento de qualquer humanidade ou Deus. Quero que seja de toda humanidade minha febre por você. Meu desejo benevolente por seu amor. E minha ira contra tudo que lhe afasta de mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Posso derramar dezenas, infinitas palavras por sobre aqui. Sobre a humanidade. Sobre a eternidade e para além dela. Posso descrever, ainda que sem exatidão, da maneira mais bela que me foi concedido descrever. Da maneira mais bela que chegará aos olhos e peitos dos homens. Querendo apenas que chegue a você. Agradeço e amo Deus por isso. Isto. Por poder representar um tanto disso a você. Sou o que posso bem descrever, escrever. Mas não o que pode viver tudo que lhe digo. Ainda que sem ilusão. Em febre: de que me vale uma vida ? A sua me bastaria. Viveria... Solto coisas abstratas de algo invisível. A coisa menos invisível do mundo. Palavras em orações. Orações coordenadas subordinadas a você. Orações descornadas a você e Cristo e toda a humanidade e tudo que possa em verdade, fé, magia ou superstição lhe trazer para mim. Ainda que não leia. Que ninguém leia. Estes símbolos. Letras construindo palavras. Palavras construindo orações. Orações dando em parágrafos. Parágrafos num texto. Eu em mim, mim num texto...Tentativa pífia de reconstituir um estado de espírito aos olhos dos que lêem se se deparassem com o invisível dentro de mim... O que tenho dentro de mim por você vale mais do que todos os símbolos, textos, estados de espíritos, sentimentos, palavras, evangelhos...Mais do que eu, do que o mundo, o Universo, Deus , o indefinido, outro Deus e o infinito...Só não vale mais do que você. Dizer que te amo fere meus ouvidos. Isto não é amor. É uma febre. É uma doença garrada. Dizer que te amo é gritar de dor. E um se estar surdo com o próprio grito e continuar a ouví-lo. Eu próprio sou. E mais do que isso. Mais do que tudo que possa existir. E ser escrito. E ser escutado. E ser berrado. &lt;br /&gt;                                           Maceió, 20 de Janeiro de 2009, Terça-Feira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-2255996476954268803?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/2255996476954268803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=2255996476954268803' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/2255996476954268803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/2255996476954268803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2009/01/minha-linda-squilindra.html' title='À minha linda Squilindra'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-8560548226144531424</id><published>2009-01-12T21:32:00.000-08:00</published><updated>2009-01-13T07:45:35.415-08:00</updated><title type='text'>Dédalo</title><content type='html'>Livro de notas de Agenor e Abele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Sua antiga cidade lhe guardava agora um ar interiorano. Isso doía. As coisas lhe guardavam cada vez menos intimidade. Desde as antigas pessoas que costumava conhecer aos lugares que freqüentava. Era um estranho familiar. Porém onde estava a morar era um estranho estranho. Todavia isso doía menos. Encontrou-se com amigos. Sentia-se deslocado. Um tanto não querido. Talvez com razão. Cada vez menos tolerava conversas daquele povo, de qualquer povo. Estava perdido em meio a dois lugares que não queria estar. Em meio a mais paixões que podia carregar. Esqueceu-se de muitas coisas que lhe tiveram de ser lembradas à medida que se esquecia de outras que lhe seriam igualmente lembradas depois. Tudo lhe trazia angústia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estava a perder intimidade com o mundo físico e se aprofundar num caminho sem volta em tudo que se contrapunha à matéria. Em verdade, negava tudo que era palpável porque tudo isso lhe causava desconforto. Procurava alternativa nas coisas metafísicas ainda que não pudesse tocá-las ou compreendê-las em plenitude. Ninguém podia. Negava coisas que via em si. Não conseguia mudar. Nem tentava. Procurou refúgio em diversas coisas, forçadas ou não. Tudo em vão. Tudo lhe doía e ninguém podia compreender sua dor, simplesmente porque era sua. Não queria terapias. Não queria remédios. Não queria soluções fantásticas, curas milagrosas. Porque isso simplesmente não existe diante de dor. Sabia de seu estado e havia se resignado a uma vida que passaria diante de si. Seria sempre um segregado. Um estranho familiar. E na infelicidade de sua angústia desconfortável encontrava um certo sossego.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Apesar de tímido acumulou muitas namoradas ao longo de seus anos, algumas concomitantemente, -devido à boa aparência física-; uma filha, um casamento, e dois amores, que não sabia dizer se de fato eram amores. Apesar de ter bastantes complexos era muito vaidoso. E apesar de ser um bom sujeito nunca foi um bom amante. Amou e mui sinceramente cada uma de suas mulheres. Mas não conseguia demonstrar. Ficou de romance por anos sem nunca ter firmado algo sério com diversas garotas. Todas na verdade. Exceto uma. Agora na meia idade, só, vivia em um mundo à parte da realidade. Mal guardava contato com o mundo exterior. Não trabalhava mais. Havia sido aposentado por invalidez psíquica. Fato esse lhe rendia sua precoce aposentadoria. E seu auto-exílio no mundo que criara para si. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Era metódico. Todos os dias saía para correr. Era vegetariano. Escrevia todos os dias, sempre antes de dormir. Sempre freqüentava os mesmos lugares às mesmas horas.  &lt;br /&gt;Perdera completamente a noção de como se viver em sociedade. Das falsidades necessárias. Dos risos forçados. Dos falsos interesses em conversas tolas. Das mentiras imprescindíveis para uma vida medíocre que todos almejam. Das mentiras convenientes na hora do flerte... Gradualmente ia perdendo a noção dentre seu mundo imaginado e o mundo real. Não sabia mais se fatos realmente haviam acontecido, ou se não passavam de imaginações suas. Não lembrava mais distintamente de suas mulheres. Misturava características delas em uma só. Confundia os nomes. Esquecia de outras. E pensava ter existido umas outras tantas que não existiram.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A vida se lhe apresentara como um ser distinto de si. Era um ente, não coisa sua. Um ente que lhe perdia intimidade com o passar dos anos. Um ente que parecia querer se despregar de si. Um irmão siamês que precisava ser desgarrado. Tal separação implicaria na morte de um em prol do outro. Como nunca se decidiu qual dos dois viveria, levou uma vida, duas vidas; porém, duas vidas pela metade. De um lado ele querendo viver, recuperar a intimidade consigo mesmo, preferindo uma vida manca à morte. De outro lado ele também, eu!, sugando toda vitalidade de minha outra metade, e preferindo o risco da amputação à uma vida pela metade. Perdoem minhas oscilações. Ora sou o que vos fala, Agenor; ora aquele que mencionei, Abele. E todos somos parte de um só ser: Este que vos escreve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Penso saber dar por mim quando se é preciso disfarçar sanidade. Mas falho. Ocorre, que me esquecem, às vezes, gestos quotidianos medíocres. Então, sou o insano por não saber dar o riso em contraposição ao siso. Por se esquecer das falsas boas maneiras. E de não concordar com o gosto alheio. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O ser humano se me apresenta como um ser desprezível, salvo exceções. Fazendo esforço e saindo de mim, vejo-me não menos desprezível. Mais até. Pois sei bem das futilidades alheia. Reconheço-as em mim. E o que faço? Tento dar o riso na hora certa sem achar graça. Talvez aqueles, os menos desprezíveis, tenham achado graça. Porque sou eu e não eles o que repara na mediocridade de tais gestos. Talvez eles sejam sinceros e eu um sujeito medíocre infeliz. Sem saber se é infeliz por ser medíocre ou medíocre por ser infeliz...Eles não acreditam no que dizem...Ainda não deram por si que são medíocres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não sou o que sabe se chegar à menina. Acho tudo isso ridículo. E quando me vejo estou com a menina de momento como que por obrigação. Gostaria de sair de mim e me ver a se chegar na menina de momento como se fosse a menina certa. Sei capturar o semblante dela como que se pedisse com os olhos que eu me chegue. Sei dizer coisas medíocres convenientes que ninguém acredita, e que todas querem ouvir. Não sei amá-las ainda que as ame, mui e sinceramente. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Amo-a. Minha vida toda dei por isso. Guardo-a para mim como que pudesse guardá-la para sempre. E não posso? &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Posso vê-la vestida de noiva com os pés na areia e um buquê nas mãos. O som das ondas e os poucos convidados que não querem dizer nada se comparados a ela e à sensação. Posso ver seu penteado com seu cabelo negro. Seus olhos a fitar o nada como da primeira vez que me cheguei a ela. E o seu olhar que faz com que eu me sinta feliz e triste ao mesmo tempo.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quando não estou com ela, quero vê-la durante todo o tempo e nunca mais ter de deixá-la. E quando estou para vê-la sinto tanto medo que tenho vontade de desistir. Mas por inércia continuo meu trajeto ao seu encontro, como que da primeira vez. E como da primeira vez não me arrependo. E me sinto feliz de estar diante dela a todo instante, e desejo que tudo isso fosse para sempre. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quando tenho de deixá-la, tenho de ser o que faz um esforço tal o que se amputa. Aqui estou sem vê-la, imaginando como que se fosse verdade a praia e seus olhos fitando o nada com raiva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É acrescentado sempre uma coisa nova quando a vejo. Um sentimento novo a ser catalogado. Como se sempre fosse a primeira vez e eu sentisse o pasmo necessário diante dela. O desassossego de a ter visto, saber que existe. A gana de me chegar e não parecer ridículo. A perturbação agradável de se estar apaixonado. A vontade de jamais deixá-la. A ansiedade de tê-la por imaginação. E de tê-la por ter em realidade. E de finalmente sentir-se afortunado por poder se estar com ela. O cheiro doce de seu perfume sentido por mim e cravado para todo o sempre em meu ser metafísico.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tudo nela me é motivo para sossego e desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; IV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sou o que acredito no amor da dama. E o que deu por si que o amor da dama era coisa de sua imaginação. Pude vê-la vir ao meu pé e me desejar amor porque me amava. Cri em suas palavras e disse coisas de minha alma e de meu coração. Amei-a e desejei não ter outra senão a ela. Qui-la para todo o sempre e para todo o sempre quis ser seu. Era tudo uma verdade para mim. Hoje, tudo que era uma verdade para mim rende estas palavras e um desconsolo incurável. Não deixei de amá-la. Apenas deixei de acreditar. E o que me aliviava o desespero, faz-me sentir um tolo. E não me faz deixar de amá-la. Isso dói. Dói mais ainda. E faz o contrário de aliviar o desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; V.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sou. E sendo já sou ridículo. Sou porque não me resta nada a ser senão ser. Sou o que sou porque não me resta nada a não ser isto, ridículo. E se pudesse optar, não seria. E não sendo, não seria menos ridículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; VI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Há demasiadas coisas que não sei falar. Gostaria mas sou impotente. Somos todos iguais em alma e sentidos. Captamos tudo quanto possa existir. Sabemos de tudo que se possa saber. Só não sabemos dar por nós. Gostaria de ser o que é lido e retransmitido. Mas não tenho nada a transmitir. Acho que nem gostaria para ser sincero. As futilidades, vejo-as em mim. Na ganância de minhas palavras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Há demasiada presunção em se fazer versos. Ainda que sejam versos ordinários. Que sujeito pensa ser o que sabe falar de sentimentos aos outros? Quem se pressupõe ter um bom conceito de estética? Nasci enxergando. Às vezes preferia não ver a ter este conceito de estética torto. A causa de todos os sofrimentos nascem dos conceitos de estética. Os olhos cegam a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; VII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sou o que nunca realiza seus amores. O que toma desejo por algo na medida em que se desconcentra do mundo. E depois se concentra em outra coisa na medida em que se esquece da vida. Sou o que nunca está satisfeito. Sempre com um desassossego n’alma. O que se apaixona por uma e ama a outra. Que carrega consigo a dor de não tê-la. E que ao tê-la, dói por não se estar só. A dor é um ente que me acompanha e me consola enquanto me dói. Já não sei andar só.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E os que me lêem os agradeço do fundo de meu coração. E os que me compreendem os amo do fundo de minha alma. E os que não me entendem, amo-os do mesmo jeito. Sou afável por não conseguir ser de outra maneira. E quando sou rude, perdoem-me, pois já sou o que não posso ser. Ao terminar estes versos saboreio um breve gozo de vitória como quem fez algo digno de entrar para História. De dentro de meu quarto apenas escrevo. Talvez compartilhe isso com a humanidade. Mesmo que professor nenhum de literatura me cite em movimento algum que nunca tomei nota. E ache características em mim que nunca tive pretensão. E me insira em uma vanguarda qualquer que morri desconhecendo. Se escrevo não é para se fazer poemas, pois se há presunção muita em se fazer poemas. Não tenho pretensão nisto. Se escrevo não é no intuito de querer fazer arte ou falar de sentimentos aos outros. Escrevo por não saber. Por doer. E quando dou por mim há um monte de palavras à minha frente. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                        Maceió, 13 de Janeiro de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-8560548226144531424?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/8560548226144531424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=8560548226144531424' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/8560548226144531424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/8560548226144531424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2009/01/ddalo.html' title='Dédalo'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-8103219812566954984</id><published>2009-01-02T20:44:00.000-08:00</published><updated>2009-01-02T20:52:11.953-08:00</updated><title type='text'>Ano Novo</title><content type='html'>Logo mais a festa irá acabar&lt;br /&gt;E eles irão por aquela porta.&lt;br /&gt;Agora me sinto feliz, e sei que isto vai acabar,&lt;br /&gt;Então tenho pena de estar feliz,&lt;br /&gt;E já não estou mais feliz.&lt;br /&gt;Quero que todos saiam de uma vez por aquela porta.&lt;br /&gt;Mas tenho de controlar minha ansiedade,&lt;br /&gt;Porque é agora que me sinto feliz,&lt;br /&gt;E logo mais eles irão finalmente sair por aquela porta,&lt;br /&gt;E eu estarei só por aqui.&lt;br /&gt;Sozinho não sei da realidade.&lt;br /&gt;Não sei como é a vida,&lt;br /&gt;Ainda que a tenha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este momento me é agradável,&lt;br /&gt;Até me sinto feliz (que pretensão!).&lt;br /&gt;Àqueles dias que em despautério cogitava me tirar tudo que viria:&lt;br /&gt;Fui respondido com este momento feliz.&lt;br /&gt;Que está para acabar,&lt;br /&gt;E tenho pena disto,&lt;br /&gt;E tenho pena de ter tido tais pensamentos&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Primeiro se irão os menos íntimos.&lt;br /&gt;Por depois um a um dos que mais gosto,&lt;br /&gt;Alguns com desculpas:&lt;br /&gt;-Tenho de acordar cedo amanhã.&lt;br /&gt;Outros simplesmente se vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por final ao meu pé restará apenas a menina de momento,&lt;br /&gt;Por quem já não guardo mais nenhum afeto,&lt;br /&gt;E que muito quero que saia de uma vez por aquela porta.&lt;br /&gt;Para meu alívio(?) ela se adianta (talvez tenha dado a perceber), &lt;br /&gt;Ao me ver só, alcoolizado, cabisbaixo num canto qualquer, &lt;br /&gt;Diz-me antes de sair pela porta:&lt;br /&gt;-Você é tão deprimente.&lt;br /&gt;E finalmente me deixa só, &lt;br /&gt;Vai-se finalmente por aquela porta.&lt;br /&gt;E sou eu de novo.&lt;br /&gt;A festa acabou.&lt;br /&gt;Estou só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     JMottër, São Paulo, 3 de Janeiro de 2009, Sábado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-8103219812566954984?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/8103219812566954984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=8103219812566954984' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/8103219812566954984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/8103219812566954984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2009/01/ano-novo.html' title='Ano Novo'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-3236118392228783140</id><published>2009-01-02T20:36:00.000-08:00</published><updated>2009-01-03T15:07:33.027-08:00</updated><title type='text'>Amém</title><content type='html'>Talvez eu vá correr.&lt;br /&gt;Não sei...&lt;br /&gt;Tenho vontade de fazer nada hoje.&lt;br /&gt;Não é só hoje.&lt;br /&gt;Há muito tenho vontade de fazer nada.&lt;br /&gt;Não me recordo de todo meu ser.&lt;br /&gt;Mas desde quando posso alcançar&lt;br /&gt;Alcanço que sempre tive vontade de fazer nada.&lt;br /&gt;Tudo sempre sem intuito.&lt;br /&gt;Desde quando não tinha discernimento já era eu&lt;br /&gt;E isso doía, só faltava discernir.&lt;br /&gt;Sei disso porque junto o sentimento passado com a razão de agora.&lt;br /&gt;E vejo que já era o que lamento ser.&lt;br /&gt;Sempre fui isto e tenho de me conformar, &lt;br /&gt;Sei bem que não mudarei.&lt;br /&gt;Sou o que tem de ter o impulso necessário para se levantar,&lt;br /&gt;Todos os dias.&lt;br /&gt;Como tenho o impulso de escrever isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se sou assim é porque Deus quis:&lt;br /&gt;Responderia minha avó, &lt;br /&gt;Como respondia às minhas indagações de criança.&lt;br /&gt;Mas por que um Deus bondoso haveria de querer algo assim,&lt;br /&gt;Que tem de fazer o esforço diário de levantar e sair à rua,&lt;br /&gt;Que não tem nada a não ser falta de vontade,&lt;br /&gt;Que não tem nada a não ser pena de existir?&lt;br /&gt;Que falta faria eu ao mundo?&lt;br /&gt;Por que Deus permitiiu que meu pai se chegasse à minha mãe?&lt;br /&gt;Para dar em um sujeito como eu não há de ter sido,&lt;br /&gt;Que dá nestas palavras sem intuito, sem sentimento, sem razão,&lt;br /&gt;Que ninguém lerá, todos desconhecerão.&lt;br /&gt;Bom que desconheçam:&lt;br /&gt;Um menino com indagações sem intuito largado na varanda dos avós&lt;br /&gt;Não é algo agradável de se ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vejo o mundo e penso no Universo&lt;br /&gt;Acredito em Deus e em todas as coisas que ouço falar Dele.&lt;br /&gt;Quando me vejo e penso nisso,&lt;br /&gt;Só acredito no diabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está a chover,&lt;br /&gt;Mesmo assim irei correr.&lt;br /&gt;Correrei tentando me deixar para trás.&lt;br /&gt;A tentar deixar o mundo e o Universo,&lt;br /&gt;Deus e o diabo para trás,&lt;br /&gt;Minha existência e qualquer vestígio dela.&lt;br /&gt;Correrei até minhas pernas pararem de doer&lt;br /&gt;E eu não sentir mais nada.&lt;br /&gt;Até eu todo estar anestesiado.&lt;br /&gt;Posso me ver a dez metros do final:&lt;br /&gt;Então não sentirei mais nada...Por aquele momento é que corro...&lt;br /&gt;Então terei deixado a dor, eu mesmo, o mundo, Deus e o diabo e o Universo,&lt;br /&gt;Minhas indagações e lamentações sem intuito,&lt;br /&gt;Tudo para trás...&lt;br /&gt;Só assim acreditarei em mim, e no mundo, e no Universo, e em Deus,&lt;br /&gt;E em todas Suas histórias que minha avó costumava falar...&lt;br /&gt;E acharei as respostas para minhas indagações,&lt;br /&gt;E me encontrarei com Ele no Paraíso dentro de mim,&lt;br /&gt;E acreditarei em Seus milagres,&lt;br /&gt;E Ele me poupará de ser o que sou,&lt;br /&gt;E não sentirei mais dor,&lt;br /&gt;E não sentirei mais nada,&lt;br /&gt;E não serei mais eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     JMottër, São Paulo, 3 de Janeiro de 2009, Sábado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-3236118392228783140?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/3236118392228783140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=3236118392228783140' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/3236118392228783140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/3236118392228783140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2009/01/amm.html' title='Amém'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-7225402853986501216</id><published>2008-12-31T23:09:00.000-08:00</published><updated>2009-01-01T11:19:03.565-08:00</updated><title type='text'>Agenor</title><content type='html'>Só poderia...&lt;br /&gt;Uma alma sofrida&lt;br /&gt;Dar numa caligrafia sofrida.&lt;br /&gt;Rápida e doentia, ligeira,&lt;br /&gt;Impensada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui com esta caneta,&lt;br /&gt;Ao pé de um portão de embarque&lt;br /&gt;Sem poder embarcar.&lt;br /&gt;Com dó de mim mesmo.&lt;br /&gt;Com pena do mundo e do Universo.&lt;br /&gt;Febril em palavras desconcatenadas,&lt;br /&gt;Sangradas de minha alma sofrida.&lt;br /&gt;Nesta caligrafia que não podia ser, a não ser&lt;br /&gt;Sofrida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às mazelas das estrelas das noites de meu ser,&lt;br /&gt;Das avenidas fantasmas de minha existência.&lt;br /&gt;Do mar frente ao meu ser,&lt;br /&gt;(Como este portão de embarque a dar sua última chamada)&lt;br /&gt;À maresia acariciando meu rosto,&lt;br /&gt;Minha alma, minhas memórias...&lt;br /&gt;Que saudade...Pobre me sinto...&lt;br /&gt;(E com toda razão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou qualquer coisa de saudade,&lt;br /&gt;De passado, de sofrido...&lt;br /&gt;Qualquer coisa de Adeus,&lt;br /&gt;Do embrulho no estômago lado a quem se ama.&lt;br /&gt;Defronte ao portão de embarque,&lt;br /&gt;Sim!&lt;br /&gt;A vida inteira tenho de ser o que está ao pé de um portão de embarque.&lt;br /&gt;Arre! Ao menos uma vez me poupem de partir!&lt;br /&gt;Levem-me daqui!&lt;br /&gt;Tenham piedade!&lt;br /&gt;Quero partir a outro lugar que não seja comigo!&lt;br /&gt;Ou ir com quem se vai.&lt;br /&gt;Mas não quero (ser) isto.&lt;br /&gt;Sempre, sempre, sempre...&lt;br /&gt;Esta angústia sem fim&lt;br /&gt;De saber que o que é agradável corre por mim&lt;br /&gt;Para um portão de embarque&lt;br /&gt;E me acena do infinito para canto nenhum&lt;br /&gt;Desconsoladamente...&lt;br /&gt;O Adeus! Escreva-me!(Escrevo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou e nada mais me resta ser, senão os minutos infinitos&lt;br /&gt;Defronte ao portão de embarque. O nó da garganta. O Adeus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus!(Escrevo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À minha casa distante de meu ser,&lt;br /&gt;Dentro de mim...&lt;br /&gt;Cruelmente dentro de mim.&lt;br /&gt;Quero minha casa de volta,&lt;br /&gt;Não este desconforto da alma,&lt;br /&gt;Este nunca estar-se satisfeito com coisa nenhuma.&lt;br /&gt;Quero-me sem discernimento...Vivo...&lt;br /&gt;Não este nunca sentir-se íntimo de canto nenhum.&lt;br /&gt;Quero-me em minha casa,&lt;br /&gt;Não este forasteiro do Universo que veio a dar por mim&lt;br /&gt;Que não guarda intimidade com nada que não seja sofrido.&lt;br /&gt;Nesta caligrafia sofrida &lt;br /&gt;Que não guarda intimidade com nada que seja calmo.&lt;br /&gt;Quero-me de volta!&lt;br /&gt;Não este desconsolado defronte um portão de embarque&lt;br /&gt;Que dá pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                              JMottër, São Paulo, 1° de Janeiro de 2009, Quinta-Feira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-7225402853986501216?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/7225402853986501216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=7225402853986501216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/7225402853986501216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/7225402853986501216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/12/agenor.html' title='Agenor'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-4906161506033997872</id><published>2008-12-22T11:28:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T11:54:14.419-08:00</updated><title type='text'>Abele</title><content type='html'>Nada é para sempre e hoje é infinito.&lt;br /&gt;Soou o sino da catedral para a missa eterna,&lt;br /&gt;Acendeu-se o candeeiro das almas que animam o espaço&lt;br /&gt;E eclodiu a vida no universo numa concatenação perfeita rumo ao infinito&lt;br /&gt;Dando em mim que dá nestas palavras concatenadas em frases sem ponto final. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor grande,&lt;br /&gt;Que é grande por ser dor.&lt;br /&gt;Finda enquanto o nada se há,&lt;br /&gt;O tal nada que é tudo, &lt;br /&gt;Tudo por ser dor.&lt;br /&gt;Dor tão real quanto a vida, &lt;br /&gt;Real por ser vivida a própria vida,&lt;br /&gt;Ainda que nada seja o que é.&lt;br /&gt;A tal vida que é dor, a tal dor que é vida.&lt;br /&gt;E infinita num rumar para canto nenhum.&lt;br /&gt;Imaginada, vagarosamente imaginada, &lt;br /&gt;Ainda que real. &lt;br /&gt;Que é como se tudo fosse o mesmo&lt;br /&gt;E o mesmo fosse nada.&lt;br /&gt;O tal nada que é presente. E demora na imaginação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carrega-me daqui, Ó, presente infinito.&lt;br /&gt;Findo absurdo, de um ser absurdo.&lt;br /&gt;Porque amanhã há de vir&lt;br /&gt;Ainda que hoje seja infinito.&lt;br /&gt;Hei de sair donde me sinto,&lt;br /&gt;Pessoa a esmo do passado.&lt;br /&gt;Junto de tanta coisa do passado,&lt;br /&gt;Que vai perdendo o significado,&lt;br /&gt;E se desfigurando na medida em que se desgarra da memória,&lt;br /&gt;E é como se o tudo fosse nada.&lt;br /&gt;Por que da dor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa parecida com gente, a anos, virão&lt;br /&gt;E não se importarão comigo,&lt;br /&gt;Com a casa de meus avós vagando em minhas lembranças.&lt;br /&gt;Meus avós...&lt;br /&gt;Apenas lembrança. Qualquer coisa do passado&lt;br /&gt;Junto de tantas outras coisas que tudo eram&lt;br /&gt;Outrora o tal presente infinito no alpendre da casa desgarrada do Universo,&lt;br /&gt;Ao pé da cadeira de balanço &lt;br /&gt;Escutando meu avô falar como se fosse Deus para mim.&lt;br /&gt;O indefinido não existia e eu era eu e me bastava.&lt;br /&gt;O Universo tinha sentido.&lt;br /&gt;Acordar era porque já não se tinha mais sono.&lt;br /&gt;O tudo como o presente infinito absoluto de agora que não passa,&lt;br /&gt;E vagarosamente tarda.&lt;br /&gt;Infinito, e é o mesmo&lt;br /&gt;Ainda que hoje é ontem, amanhã e sempre.&lt;br /&gt;Basta por hoje.&lt;br /&gt;Carrega-me daqui, absurdo, para amanhã.&lt;br /&gt;Pois hoje não me sinto bem,&lt;br /&gt;E hoje é infinito.&lt;br /&gt;Apenas lembrança desgarrada de tudo que é gente da Terra,&lt;br /&gt;Do indefinido. Do adeus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa partida infinita rumo ao nada.&lt;br /&gt;Tal nada que é dor&lt;br /&gt;E grande por ser dor.&lt;br /&gt;Como lembranças são homens de anos antes&lt;br /&gt;Aglomerados em coisa chamada memória&lt;br /&gt;Inquietas em pensamentos angustiados.&lt;br /&gt;Apenas um monte sem definição na memória de tanta gente.&lt;br /&gt;Cada vez menos gente.&lt;br /&gt;Amontoado sem rosto.&lt;br /&gt;Amanhã apenas um monte de uma época longínqua,&lt;br /&gt;Que não quer dizer mais nada&lt;br /&gt;E era tudo.&lt;br /&gt;Mesmo diferentes,&lt;br /&gt;De outras épocas.&lt;br /&gt;São apenas qualquer coisa do passado.&lt;br /&gt;Sou qualquer coisa de passado mas sou quem vivo para sempre&lt;br /&gt;Porque hoje é infinito e o adeus é para sempre. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Adeus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                            JMottër, São Paulo, 22 de Dezembro de 2008, Segunda-Feira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-4906161506033997872?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/4906161506033997872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=4906161506033997872' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/4906161506033997872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/4906161506033997872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/12/abele.html' title='Abele'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-4660873026966419842</id><published>2008-10-25T18:39:00.000-07:00</published><updated>2008-11-09T13:23:16.444-08:00</updated><title type='text'>Angústia</title><content type='html'>A caminho da escola, sempre atrasado&lt;br /&gt;A caminho da escola, para sempre&lt;br /&gt;Só porque é a escola que preciso ir agora&lt;br /&gt;Para a aula porque preciso dela, penso precisar,&lt;br /&gt;Alguém disse que eu precisava,&lt;br /&gt;Quantas coisas me disseram e eu tomei como verdadeiras?&lt;br /&gt;Como se precisasse mais do que tudo&lt;br /&gt;Quantos desejos me sussurraram e eu os tomei como meus?&lt;br /&gt;Não sei o que quero, só o que me disseram, o que tomei para mim, &lt;br /&gt;Os desejos alheios sem saber precisar a razão,&lt;br /&gt;Com uma fé cega, como se fosse sempre o que quisera,&lt;br /&gt;Mas não sei o que quero, não sei de mim,&lt;br /&gt;Ainda embora transpusesse qualquer coisa que obste meu caminho à escola&lt;br /&gt;Então é ir à escola o que quero, suporia, &lt;br /&gt;Mas o desejo do homem em seu padrão de medida,&lt;br /&gt;Não se diz desejo por coisas cotidianas, tidas como pequenas&lt;br /&gt;Ainda que tudo seja um milagre, as coisas pequenas inclusive&lt;br /&gt;Como um milagre pode ser pequeno? Como se pode medir a grandeza de um milagre?&lt;br /&gt;Nunca vi um milagre, ou os vejo todos os dias?&lt;br /&gt;Galgando-me em desejos pífios, de sonhos pífios como eu, vou à escola&lt;br /&gt;Para sempre, porque só o sempre existe&lt;br /&gt;Acelero o carro no amarelo, &lt;br /&gt;Mas o sinal fecha, e não consigo atravessá-lo&lt;br /&gt;Quantas coisas quis atravessar e não pude...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho para o lado e vejo uma senhora a fumar,&lt;br /&gt;Como se tivesse uma altivez planejada para se sobrepor a pessoas como eu,&lt;br /&gt;Mas se é altiva não tem de ser planejada, talvez ela seja como eu, pequena&lt;br /&gt;Vejo-a bem, melhor do que ela um dia pôde se ver, pois é como se me visse &lt;br /&gt;-Acaricia o filtro do cigarro com os dedos, logo o põe na boca&lt;br /&gt;Lá o acaricia rapidamente com a ponta da língua, como se fosse tudo planejado- &lt;br /&gt;Pode-se bem se ver a angústia por detrás da máscara altiva que veste&lt;br /&gt;Então, de certa forma, é minha angústia também, &lt;br /&gt;Posso vivê-la como que se fosse minha,&lt;br /&gt;E de fato realmente a é&lt;br /&gt;Vê-se de longe&lt;br /&gt;Vejo-me também, no espelho do carro, na senhora que me serve de espelho&lt;br /&gt;Penso não ter nada a me afligir, exceto o atraso, a angústia da senhora que abracei como se fosse minha&lt;br /&gt;Não há minuto sequer vivido por mim sem aflição&lt;br /&gt;Então o sinal abre, dobro a direita, a senhora vai reto, para sempre&lt;br /&gt;Toda sua vida foi minha, e toda minha vida foi dela, mas o sinal abriu e seguimos adiante,&lt;br /&gt;distantes um do outro, provavelmente jamais a verei de novo, e se  a vir não a reconhecerei...&lt;br /&gt;Sinceramente, não me importo&lt;br /&gt;O único som que me interessa é o de meu coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligo o som do carro, pondo na rádio &lt;br /&gt;Está a tocar uma música que conheço bem, costumava gostar dela,&lt;br /&gt;Apesar de estar um pouco enjoado, &lt;br /&gt;Mas na rádio o fator surpresa faz com que eu a tolere, &lt;br /&gt;E até volte a gostar dela, &lt;br /&gt;Penso que talvez eu nunca tenha deixado de gostar dela, &lt;br /&gt;O que é enjoar-se então senão deixar de gostar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paro para tomar um café, sempre o café, &lt;br /&gt;Consola-me mais que a vida uma xícara de café&lt;br /&gt;Na cafeteria, então, servem o café à minha pessoa, estendo a mão agradecendo,&lt;br /&gt;Como se estivesse faminto, e uma alma altruísta me servisse um prato de comida&lt;br /&gt;Ponho-o na boca, sinto bem seu cheiro &lt;br /&gt;-como me sinto bem, adiantando a aula que já estou atrasado, protelando o momento que não quero-, &lt;br /&gt;Percebo então que o futuro ainda não é, e quando for já não é mais, &lt;br /&gt;Minha existência se resume a esta xícara de café defronte,&lt;br /&gt;E eu a consumo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio da cafeteria, entro no carro,cada vez mais atrasado para a aula... &lt;br /&gt;É de Teologia, &lt;br /&gt;Qual ciência poderia falar da intersecção entre o que meus olhos vêem e o que meu coração pode sentir? &lt;br /&gt;Se isso ela pudesse, garanto que não estaria atrasado, nem protelando minha chegada à aula, nem consumiria minha existência, tampouco a mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No carro já, acelero, mas não consigo mais acelerar, &lt;br /&gt;Pois há tantos carros atrasados na rua quanto eu, &lt;br /&gt;Tantas intersecções angustiadas quanto a vida&lt;br /&gt;Chego finalmente ao cruzamento da avenida principal, &lt;br /&gt;Paro em mais um sinal vermelho,&lt;br /&gt;Têm crianças lá que vêm em minha direção, param defronte à janela&lt;br /&gt; E me vêem do lado de fora do carro...&lt;br /&gt;Devem pensar:&lt;br /&gt;“-Este sim é que leva uma vida boa.”&lt;br /&gt;Então elas pedem esmolas, &lt;br /&gt;Digo que não as tenho (e realmente não as tenho), mas sou gentil, &lt;br /&gt;Por que eles e não eu estão a pedir esmolas? &lt;br /&gt;Sinto culpa, por isso sou gentil, &lt;br /&gt;É como que se me desculpasse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse pedinte não moraria nesta cidade, &lt;br /&gt;Viveria na praia...Mas por que não estou agora na praia? &lt;br /&gt;Penso que tenho que ir à aula ao invés de estar na praia; &lt;br /&gt;Mas bem sei que se estivesse na praia, pensaria que teria de ir à aula ao invés de estar na praia, &lt;br /&gt;Estaria angustiado, insatisfeito por não estar onde julgaria que deveria estar,&lt;br /&gt;Mas estando onde deveria estar, veria que não é ali que deveria estar...&lt;br /&gt;Estaria angustiado mais uma vez&lt;br /&gt;Talvez donde vim era o lugar certo, mas regressando lá &lt;br /&gt;Não reconheceria o lugar que havia deixado,&lt;br /&gt;E me sentiria perdido, um estrangeiro a cada cidade, sem casa, &lt;br /&gt;Um pedinte querendo ir à praia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo à escola passo por algumas bancas de flores, &lt;br /&gt;Se eu tivesse uma namorada sempre pararia nestas bancas para lhe comprar flores&lt;br /&gt;Sei que é mentira o que digo, quantas namoradas e oportunidades tive pra lhes levar flores,&lt;br /&gt;Mas sempre estive um tanto atrasado para poder parar na banca de flores,&lt;br /&gt;Sempre preferi o café às flores que fariam minha namorada feliz por um instante&lt;br /&gt;Mas o que é viver senão perseguir as felicidades de um instante, para que então possamos finalmente nos sentir completados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego à garagem onde estaciono, &lt;br /&gt;Cumprimento o porteiro levantando a mão, como sempre faço, só porque faço agora, &lt;br /&gt;Como que se pedisse desculpas por ele ter de abrir o portão para mim todos os dias&lt;br /&gt;Então ele pensa:&lt;br /&gt;“-Este sim é que deve se sentir completo.”&lt;br /&gt;Saio da garagem e passo apressado pela esquina que sempre há mendigos bêbados, &lt;br /&gt;Um deles me conhece, seu Osório, sempre me pede dinheiro para beber...&lt;br /&gt;Hoje ele não está bêbado e mal apanhado, &lt;br /&gt;Está com a barba feita, sóbrio, sentado em uma mala, olhando-me com um olhar constrangido&lt;br /&gt;Cumprimento o seu Osório,&lt;br /&gt;Como se pedisse desculpas por ele ser mendigo e bêbado,&lt;br /&gt;Diz-me ele que não irá mais beber &lt;br /&gt;Os outros mendigos zombam dele, estão bêbados &lt;br /&gt;Sei que seu Osório não quer mais beber, torço para que ele consiga, como uma espécie de inveja ao contrário, torço &lt;br /&gt;Mas sei bem que amanhã, ou depois, vê-lo-ei como de costume, a me pedir dinheiro para beber, mal apanhado, e com a barba mal feita, caído naquela mesma esquina, sobre a mala aberta&lt;br /&gt;Olhando-me entregue, e não mais constrangido&lt;br /&gt;E eu então darei o dinheiro para que ele possa me desculpar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego finalmente à sala, não estava tão atrasado, mas me sentia como que se estivesse,&lt;br /&gt;Pois é assim que me sinto toda a vida &lt;br /&gt;Sempre a me sentir como que precisasse chegar antes do que posso a um lugar que não existe&lt;br /&gt;A compromissos fundados comigo mesmo &lt;br /&gt;Sempre este sentimento de se estar atrasado, de se estar errado diante dos outros,&lt;br /&gt;De pedir desculpas por se estar vivo, a cabeça baixa com o olhar de esguelha por debaixo de minhas vergonhas, de meu complexo&lt;br /&gt;Sempre esta angústia incrustada em meu espírito,&lt;br /&gt;Esta insatisfação injustificada cravada em minh’alma&lt;br /&gt;Este furacão caótico de sentimentos em meu ser,&lt;br /&gt;Que tanto me lança às nuvens quanto me arremessa com violência ao chão,&lt;br /&gt;Não sei discernir o que sinto, mas sei que sinto algo, e não me sinto bem&lt;br /&gt;Sempre a desejar a praia, e quando estiver dentro do mar desejar a aula, e novamente desejar a praia, porque era na praia que era feliz&lt;br /&gt;O “por favor”, “obrigado” e “desculpe-me” que me asfixiam&lt;br /&gt;A namorada certa por vir, porque com a passada não poderia ter sido feliz,&lt;br /&gt;E quando me vejo com outra, foi com aquela que fui feliz&lt;br /&gt;Por que nunca levei flores para ela?&lt;br /&gt;Sempre a me doar mais do que posso, e achar que nunca é o bastante&lt;br /&gt;A doar-me exaustivamente em versos como estes, escritos na aula maçante de Teologia, &lt;br /&gt;A sangrar no papel minhas dores&lt;br /&gt;E me martirizar por não atender minhas próprias expectativas,&lt;br /&gt;Ou será a expectativa que os outros têm para mim, e as tomei como minhas, até crendo nelas?&lt;br /&gt;Sempre a pensar que tudo que posso, tudo que tenho não é suficiente,&lt;br /&gt;A certeza de que há o melhor de mim, e esse melhor, mesmo meu, não me pertence&lt;br /&gt;Galgado em sonhos de gente medíocre, minha vida se dá nos versos que escrevo,&lt;br /&gt;Acanhado no canto da sala, durante a aula&lt;br /&gt;Sou tão viciado quanto seu Osório,&lt;br /&gt;Ora sóbrio sente uma atração incontrolada pela bebida,&lt;br /&gt;Ora bêbado, sente-se arrependido por ter bebido, então vomita o que lhe enjoa,&lt;br /&gt;E o que é enjoar senão deixar de gostar?&lt;br /&gt;Mas se deixou de gostar por que voltar a beber?&lt;br /&gt;Por que nunca tentei ajudar o seu Osório?&lt;br /&gt;Sempre a felicidade protelada para o dia seguinte, que ficou ontem&lt;br /&gt;Sempre faltando um dia para ser feliz, um dia a mais de ter sido feliz&lt;br /&gt;Por pouco de não ter sido feliz, mais um objetivo e me completo&lt;br /&gt;Mas o futuro não vem, pois ele não existe&lt;br /&gt;Ninguém vive o futuro, só o que nos cerca&lt;br /&gt;Tudo que me resta está ao meu derredor, galgado em sonhos pífios como eu,&lt;br /&gt;Sonhos como a vida, como ser pensante, como Pessoa,&lt;br /&gt;Pífios como eu, como ser que não pensa, porque só sente; como pessoa&lt;br /&gt;Na altivez forjada da senhora do carro ao lado, no cigarro dela, na minha xícara de café...&lt;br /&gt;Pessoas como eu nunca estão felizes, sei como sou e aceito minha própria condição,&lt;br /&gt;Como um doente terminal se resigna à morte, e quando ela chegar perguntarei:&lt;br /&gt;Por onde esteve que tanto demorou a me achar?&lt;br /&gt;O passado não existe, só a lembrança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Esta agonia presa em minh’alma&lt;br /&gt; Este não sei o quê desesperador em meu ser&lt;br /&gt; Esta aflição incessante de meu espírito&lt;br /&gt;                             APIEDE-SE!!!&lt;br /&gt;              Por favor ou por pena...&lt;br /&gt;   PARE!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E amanhã acordarei do pesadelo que é hoje, e então amanhã volverpa a ser hoje&lt;br /&gt;E hoje, já ontem, mais um dia se foi, mais um dia virá, mais um dia é...&lt;br /&gt;Sei bem o que farei, pararei em sinais vermelhos, viverei a angústia alheia do carro de lado, estarei atrasado para uma aula que já não é mais de Teologia, irei tomar uma xícara de café, pois ela me consola mais que a vida, e o garçom, ao me servir, falará:&lt;br /&gt; -Aqui está seu café, senhor! &lt;br /&gt;Eu olharei para ele e direi sério, procurando ser afável com o moço, e responderei como que se me desculpasse:&lt;br /&gt;  -Não carece de me chamar de senhor, amigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                    JMottër, São Paulo, 25 de Outubro de 2008, Sábado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-4660873026966419842?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/4660873026966419842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=4660873026966419842' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/4660873026966419842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/4660873026966419842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/10/angstia.html' title='Angústia'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-5898312103552439457</id><published>2008-10-17T13:19:00.000-07:00</published><updated>2008-10-17T13:32:16.171-07:00</updated><title type='text'>América</title><content type='html'>Sinceramente, a única coisa sincera que possuo agora, é a sinceridade de dizer o que vos digo. Sinceridade de admitir que não tenho nada a dizer, mas digo assim mesmo, de dizer coisas que todos sabem bem, e mentir sobre o que não há como mentir, pois todos sabem bem da verdade. Admitir que sou deficiente em demonstrar o que sinto, incapaz de escrever sobre meus sentimentos, então tomo o dos outros como meus, e os vivo como verdade. O que de mim poderia dizer que interessasse? Como uma criança a querer a atenção da mãe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que há algo dentro de mim, assim como dentro de todos, mas não saberia demonstrar neste texto, não sei exteriorizar aos olhos dos outros. Mas por que esta preocupação sobre o que os olhos dos outros vão enxergar? A mim, ou a pessoa nestas palavras? Sei que há algo dentro de mim, mas não sei precisar o quê, como a América para os navegadores, que intuíam haver algo além-mar que mudaria o mundo, mas não sabiam precisar o quê, tiveram de se lançar ao mar para descobrir. Dentro de mim há alguém que venho tentando conhecer, para mudar meu mundo, tenho que escutar o murmuro de minha intuição e me lançar ao mar caótico de sentimentos dentro de mim para conhecê-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, neste texto, talvez só neste texto, estou pouco me importando em fazer algo bom, em deixá-lo bom, coerente e compreensível; pois, se assim fosse, seria falso como o sujeito que os outros enxergam. Porque das coisas que há dentro de mim, de boas, coerentes e compreensíveis não têm nada. Há muito esqueço de ser o que sou, só o que vêem, ao ponto de chegar a acreditar no que viam, e quando me vi para dentro, fiquei estarrecido com o que enxerguei...Que sujeito medíocre tenho sido.&lt;br /&gt;                                          &lt;br /&gt;                                         JMottër, Maceió, 17 de Outubro, Sexta-Feira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-5898312103552439457?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/5898312103552439457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=5898312103552439457' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/5898312103552439457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/5898312103552439457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/10/amrica.html' title='América'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-542693310526334090</id><published>2008-10-12T15:18:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T16:19:43.867-07:00</updated><title type='text'>O evangelho segundo São Paulo</title><content type='html'>São Paulo é deveras importante como cidade,&lt;br /&gt;Mas não é tão importante quanto minha cidade,&lt;br /&gt;Ainda que quase ninguém se importe com minha cidade.&lt;br /&gt;Em São Paulo há os melhores bares, cafés e restaurantes;&lt;br /&gt;Bem, na minha cidade há bastantes coisas boas também...&lt;br /&gt;Há a padaria do seu Pepe na esquina, o coco do seu Geraldo na quadra de areia da praia, o café mal feito da melhor cafeteria de todas as galáxias...&lt;br /&gt;Em São Paulo vê-se estrelas desfilando pelas ruas,&lt;br /&gt;Já na minha cidade elas desfilam pelo céu.&lt;br /&gt;Lá, quando não se tem nada para fazer, só se vive,&lt;br /&gt;E se vivendo por lá, já se sente completo, pois se viver por lá já é bastante,&lt;br /&gt;Resume-se a si mesmo, justifica-se por tudo, para tudo e para todos.&lt;br /&gt;Em São Paulo sempre se tem algo por fazer,&lt;br /&gt;Para que se possa sentir-se completo.&lt;br /&gt;Sempre há algo para se justificar, pessoas se justificando todo o tempo,&lt;br /&gt;Por tudo, para tudo e para todos.&lt;br /&gt;Minha, querida, cidade jamais se esquecerá de mim, quero acreditar nisso,&lt;br /&gt;Muito menos eu dela, quero acreditar nisso. &lt;br /&gt;Minha querida cidade é-me só uma lembrança, &lt;br /&gt;e como me é pesada tal lembrança por ser tão feliz.&lt;br /&gt;São Paulo, para mim, era apenas o Santo que falava de amor,&lt;br /&gt;Que equívoco, parece-me então, terem batizado esta cidade com o nome desse Santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui de São Paulo se sai,&lt;br /&gt;Por estradas que nos levam a outras cidades também batizadas com nomes de santos,&lt;br /&gt;Sem se mudar de paisagem, sem que percebamos que se tenha mudado de cidade, de Santo.&lt;br /&gt;Lá na minha cidade ao se sair por estradas, não se chega a canto algum, &lt;br /&gt;As estradas que percorremos são as de dentro de nós, &lt;br /&gt;São as de nossa alma, secas e desertas,&lt;br /&gt;E nas estradas de lá a paisagem também não muda muito.&lt;br /&gt;E embora não se chegue a Santo algum, &lt;br /&gt;Deparamo-nos com alguns santos de romarias que bloqueiam as estradas, &lt;br /&gt;Lá, mudar de Santo não é coisa que se cogite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há milhões de pessoas em São Paulo, mas é raro se ver pessoas de São Paulo;&lt;br /&gt;Milhões de pessoas, aqui, como eu, &lt;br /&gt;Que deixaram suas cidades que ninguém nunca ouviu falar.&lt;br /&gt;Há poucas pessoas na minha cidade, mas é raro se ver quem não seja de lá,&lt;br /&gt;Quem não deseja do fundo d’alma se perpetuar por lá, porque por lá só se vive.&lt;br /&gt;Quem vive em São Paulo quer partir de São Paulo;&lt;br /&gt;No entanto, não pára de chegar gente por aqui,&lt;br /&gt;Não menos obstante, ninguém sai mais de São Paulo.&lt;br /&gt;Como tantos filhos de cidades amadas desconhecidas,&lt;br /&gt;Sinto-me como o desertor da pátria por ter abandonado minha querida cidade,&lt;br /&gt;Ter mudado de Santo.&lt;br /&gt;Temo jamais sair daqui, e nunca mais voltar à minha cidade, &lt;br /&gt;E se voltar, que cidade encontrarei? Aquele que deixei? &lt;br /&gt;Temo ser mais um a contribuir com isto. Não quero viver a me justificar,&lt;br /&gt;Para mim viver já basta, pois viver já se justifica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá na minha cidade,&lt;br /&gt;A vida é tão vivida, tão só viver, que até se esquece que se está vivo,&lt;br /&gt;E se acaba esquecendo de viver, e quando se dá por conta,&lt;br /&gt;O tempo alheio à nossa distração já se passou. &lt;br /&gt;Em São Paulo, a vida está sempre adiada para depois do compromisso,&lt;br /&gt;Que se acaba se esquecendo de viver, e quando se dá por conta,&lt;br /&gt;O tempo alheio à nossa distração já se passou,&lt;br /&gt;Isso elas têm em comum...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorreu-me que, agora então, já se começa a ficar coerente que,&lt;br /&gt;esta cidade(refúgio de almas desertoras saudosas)tenha sido batizada com o nome do Santo, foi ele mesmo quem disse:&lt;br /&gt;“(...)Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                   JMottër, São Paulo, Domingo, 12 de Outubro de 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-542693310526334090?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/542693310526334090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=542693310526334090' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/542693310526334090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/542693310526334090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/10/o-evangelho-segundo-so-paulo.html' title='O evangelho segundo São Paulo'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-339704829724012198</id><published>2008-10-09T23:24:00.000-07:00</published><updated>2009-05-06T19:41:48.455-07:00</updated><title type='text'>Aí estão suas flores</title><content type='html'>Amo porque amo, pelo bel prazer de amar&lt;br /&gt;Amanhã cedo, acorda-la-ei com flores&lt;br /&gt;E em nosso amor olvidaremos nossas dores&lt;br /&gt;Daí então iremos de mãos dadas a ver o mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio nela, pois não há nada mais que nela crer&lt;br /&gt;Que feliz me sinto por ter tamanha sorte&lt;br /&gt;De tudo que sei, todas verdades de meu ser&lt;br /&gt;Acredito não ter fim meu amor mesmo em morte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar nela é esta agonia a todo instante&lt;br /&gt;Amo porque amo, simplesmente por muito amar                &lt;br /&gt;Amo porque a amo, pois isto já é-(me) bastante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ela me sinto em casa, pois ela é meu lar&lt;br /&gt;Vil ledo engano amar, por motivo algum, assim&lt;br /&gt;Amá-la é por amar, é crer meu ser não ter fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                               JMottër, São Paulo, 10 de Outubro de 2008, Sexta-Feira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-339704829724012198?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/339704829724012198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=339704829724012198' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/339704829724012198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/339704829724012198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/10/as-suas-flores.html' title='Aí estão suas flores'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-6401928275766249346</id><published>2008-09-18T23:39:00.002-07:00</published><updated>2008-10-03T03:02:37.736-07:00</updated><title type='text'>D'alma</title><content type='html'>____Subo pela ladeira das campinas escutando o ronco dos motores.&lt;br /&gt;____Subo pela ladeira das campinas dentro de mim.&lt;br /&gt;____A viver em meu mundo e esquecer do outro.&lt;br /&gt;____Vivo dentro de mim por mim mesmo, para mim mesmo, além disso não há o quê possa existir.&lt;br /&gt;____ Os carros vêm e passam acelerando cada vez mais para chegarem ao seu destino, -tão alheios a mim quanto eu a eles-.&lt;br /&gt;____Já não escuto mais o ronco de seus motores, só o meu coração.&lt;br /&gt;____Não me sinto diferente, ora penso que meu espírito leva meu corpo para aonde ele quer ir, para chegar ao (s)meu destino. Ora penso que meu corpo carrega meu espírito...&lt;br /&gt;____Ao topo das Campinas, pensamos, então andamos lado-a-lado, partes de um só, como partes do todo, tão íntimos, tão seguros um do outro, resta nada a um senão o outro, e para o outro senão o um. E para os dois senão subir pela ladeira das campinas. Lado a lado, partes de um, partes do todo, mesmo alheios ao todo.&lt;br /&gt;____A dor na carne se resume a um ponto. A dor no espírito a mim todo. Não tem começo, não tem fim.&lt;br /&gt;____Sem pretensão, então, enquanto subo pela ladeira das campinas, ponho uma mão no bolso a balançar as moedas que há lá, ponho a outra mão no outro bolso à procura do chiclete, de anteontem, na calça que ainda não foi posta para lavar...(Lembro-me de ter sobrado um no pacote, e que o havia ali deixado).&lt;br /&gt;____Cada vez mais próximo do fim da ladeira das campinas, passo por um ser a me pedir esmolas, saco-as automaticamente do bolso, quase que sem perceber, onde me serviam de brinquedo apenas e as lhe dou. Invejo-o de certa forma, pois ele sabe bem o que quer, para ele tudo consiste no óbvio de conseguir moedas; já eu nem sei por que subo pela ladeira das campinas, que é tudo o que me resta, tudo que me faz existir.&lt;br /&gt;____Finalmente acho o chiclete! Estava certo de que estaria nesta calça, que ainda não foi à lavanderia! É de menta, meu predileto! Ponho-o na boca...Como é gostoso mascá-lo com esta verdade...Sinto-me feliz por mascá-lo. Mas a certo momento o gosto dele cessa. O que me deixava feliz cessou naquele chiclete. Não há felicidade que não cesse. O que me deixava feliz foi consumido por mim mesmo até cessar. Esvaiu-se por dentro de mim para canto algum.&lt;br /&gt;____Depois, então, lembro-me que com aquelas moedas, que me serviam de brinquedo um pouco antes de servirem de esmola, serviriam-me para um café. Ao concatenar as idéias sinto um tanto de raiva daquele pedinte, mesmo que saiba que ele não tenha tido culpa, tampouco eu a tive, penso eu, mas mesmo assim me culpo. O café também me traria felicidade, mas se esvaiu antes de se constituir em felicidade para mim, antes que eu pudesse consumir o que seria minha e só minha felicidade.&lt;br /&gt;____Então desço pela ladeira das campinas, para o local de onde vim, com as mão nos bolsos que já mais nada têm; com aquela habitual angústia que meu rosto mostra bem, que não sei precisar por quê, que não sei de onde vem ou para aonde vai, se é parte de meu corpo e nele cessará, se é parte de meu espírito ou se é o resultado de mim como todo, tudo, tal como a ladeira que agora desço.&lt;br /&gt;____O que me restaria da vida senão andar distraidamente sem saber o porquê, de brincar com moedas e dá-las a quem não precisa mais do que eu, e procurar chicletes e finalmente achá-los, e depois vê-los perder a graça dentro de mim mesmo, e a pensar culpando outrem, culpando-me, que por um acidente, descuido, distração, não pude ser mais feliz do que fui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                   JMottër, São Paulo, Sexta-Feira, 19 de Setembro de 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-6401928275766249346?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/6401928275766249346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=6401928275766249346' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/6401928275766249346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/6401928275766249346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/09/na-ladeira.html' title='D&apos;alma'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-2968824803732822114</id><published>2008-08-22T20:04:00.000-07:00</published><updated>2008-08-23T15:51:48.746-07:00</updated><title type='text'>Sonhos</title><content type='html'>Do tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É no mínimo estranho pensar num tempo finito, ainda que tudo o que conheçamos seja finito. Suponhamos que daqui de trilhões de anos, todo o universo desapareça, o tempo desaparecerá com ele? Depende, no vácuo absoluto, onde nada existe, não existiria o tempo. Pois o tempo necessita de um mínimo de matéria para agir, pois, juntamente do espaço, ele constitui a própria matéria. Todavia, não há sinais de vácuo absoluto no universo. Admitamos, então, que ele seja infinito. Ora, se algo é infinito, tal como o tempo, não há o quê possa se comparar a ele, pois trilhões de anos se comparados ao infinito, serão tão pífios quanto milésimos de segundo se também forem comparados ao infinito. Portanto, milésimos de segundo, anos, décadas, trilhões de anos, perante o tempo -que é infinito- se equivalem. Isso me leva a crer que toda a história do universo, com todas as suas galáxias e formas de vida, existe num contínuo presente infinito, e está inscrita dentro de qualquer partícula de matéria do universo. Tudo é presente e infinito, o tempo constitui parte de toda matéria, e ele é presente e infinito. Mas, se em toda matéria há tempo em sua composição - o qual é constante, presente e infinito- e as matérias envelhecem, envelhece também o tempo? Não. Assim como tudo o que existe não envelhece. Tudo e todos são constantes no infinito presente do tempo. Toda a história de tudo e de todos, nascimentos, mortes, invenções geniais...Ocorre agora, ontem e para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do que sinto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consigo lembrar de coisas como se estivessem de novo ao meu redor. Um dia elas estiveram, mas se tornaram lembranças e não estão mais ao meu redor. Ainda que possa senti-las uma vez mais. Pego-me muitas vezes indagando se realmente estiveram ao meu redor. O homem faz estradas ligando cidades, para que outros homens cheguem e saiam das cidades, faz carros, aviões...Mas nada disso me parece real, por mais que consiga apalpá-los. Sinto falta de tanta coisa, mas de nada que um dia pude apalpar, de que pude ver, cheirar; pois penso que nada daquilo que possa lembrar tenha existido. Lembro-me sem barba, lembrar-me-ei de quando não tinha rugas, lembrar-me-ei de quando escrevia o que escrevo. Lembro-me de muitas coisas, mas não consigo lembrar como eram de fato, se é que de fato eram. Há deveras metafísica em se olvidar das coisas como de fato eram. É como se tudo sempre estivesse em minhas lembranças, como um ator a esperar para entrar em cena com seu texto previamente decorado não gerando surpresa alguma em mim, espectador. Talvez sempre tenha vivido eu mesmo ao meu lado, porque o que vejo é pífio comparado ao que acredito existir, inclusive eu comparado a mim mesmo. Meus olhos, meus sentidos não captam o que posso sentir, ainda que eu sinta e veja com uma fé cega as coisas que existam de além; e pressinta como deva ser de fato senti-las. E das coisas que sinto, vejo, apalpo...Duvido muito delas. Demoro a percebê-las, como alguém que escuta um idioma estrangeiro e leva tempo para traduzi-lo internamente para si e gerar uma resposta razoável para um pergunta fútil qualquer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Breve elucidação lógica da existência da alma(inteligência e sentimentos incorpóreos)&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Se amo, o que é em mim que ama? Meu cérebro!? Então não estaria menos correto em dizer que meu pé ou pulmão ama algo. Quando eu amo algo, o que em mim é que ama? O meu conjunto (pernas, cérebro, coração, genes...)? Não estaria outra vez menos certo, portanto, em dizer que meu pé ou coração ou tripas ama algo. Acho que o amo(meu conjunto corpóreo -pernas, cérebro, coração, genes...-) mais do que ele a mim. E remetendo de forma ratificada o que disse: se eu o amo(conjunto), e em mim o que ama é ele, sou eu que amo a ele julgando, incorretamente, amar a mim... Não! Está, dessa forma, coerente que a matéria é incapaz de amar. De certo que não me resuma a meu cérebro. Nem a minhas pernas, cabelos, braços, palavras, idéias... Meu início e meu término não se resumem a isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do que sinto(continuando)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de tudo o que me falta, é aquilo que sempre me faltou. Tudo se apresentava tão certo. Tão exato. Pois que quando a metafísica a mim se mostrou, o resto me esqueceu. Faltam-me os dias em que o óbvio realmente era óbvio. Escovar os dentes constituía-se apenas em deixá-los limpos, e não em indagações mais complexas além do óbvio de escová-los apressado e ir dormir. A parede se constituía em tijolos e alvenaria, e não em obstáculo à minha existência. Caminhar pela praia era pelo prazer da carícia das marolas em meus pés, e não esperando que naus vindas do além mar, com respostas em que neste mundo não há, salvassem-me do abismo que mergulhei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da genialidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que faz de um homem gênio? Nascer assim, ainda que levem uma vida ou mais para reconhecerem-lhe sua genialidade? Não se faz gênios do dia para noite, ainda que eles tenham nascidos gênios. E gênios, têm certezas maiores sobre o óbvio? Caminham, simplesmente, pela praia? Atravessam paredes? Acreditam mais em seus cérebros do que nas outras coisas? Conseguem perceber como as coisas são de fato e a posteriori lembrarem-se delas? Postam a cabeça no travesseiro, depois de escovarem os dentes, com mais verdade que os ordinários? Ou com o mesmo peso? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do sonho            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o porquê da distinção que há entre o sonho e a vida. Pois para que se possa sonhar tem que se estar vivo. O sonho não é diferente da vida, é parte dela. Porque é bem verdade que mortos não sonham. Ainda que sejam personagem dos sonhos dos vivos. Ora, se viver implica em sonhar, e não há realidade maior que a vida, a vida é um sonho, e o abismo infinito que mergulhei é o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                             JMottër, São Paulo, 23 de Agosto de 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-2968824803732822114?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/2968824803732822114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=2968824803732822114' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/2968824803732822114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/2968824803732822114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/08/sonho.html' title='Sonhos'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-4660469556921792244</id><published>2008-08-04T12:14:00.001-07:00</published><updated>2008-08-07T20:42:32.762-07:00</updated><title type='text'>Norte</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Eduardo olhava pela janela de seu quarto, por entre a poluição, para dois homens no prédio defronte, pendurados em andaimes, limpando janelas. Pensou, mas sem menosprezo algum, que poderia ser muito bem ele no lugar daqueles homens, limpando janelas em um dia de Domingo. Então, olhou para si e agradeceu a Deus por ter a vida que tinha. Estava fazendo os últimos ajustes em sua monografia. Estava fazendo os últimos ajustes nas atas para a reunião da próxima manhã. Estava fazendo os últimos ajustes, por telefone, com Paula, no encontro que teriam mais tarde. Sentia aquela habitual angústia dos fins de tarde dos domingos. Mas, estava feliz porque finalmente iria sair com a menina de que gostava. Finalmente iria ficar de férias, na quarta-feira, após a apresentação de sua monografia. Finalmente iria ser efetivado, após formado, na empresa a qual trabalhava. E, então, finalmente iria morar só – já havia inclusive achado um apartamento justo para si-.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Olhou sua agenda com regozijo pois havia pouca coisa para se fazer naquela semana:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Segunda haveria a reunião da empresa, última do ano. As oito horas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Terça teria o dia livre.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Guardou-o para os últimos preparativos em sua monografia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Quarta, pela manhã, apresentaria a monografia. Guardou a tarde para sair com a família para almoçarem juntos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Quinta a noite iria jogar bola com os amigos. Teria a tarde livre. Pensava, portanto, em sair com Paula novamente, caso as coisas corressem bem com a moça. Estava apaixonado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Sexta, véspera de natal. Iria buscar alguns parentes que não via há alguns anos no aeroporto. Os quais iriam passar o natal em sua casa. Ansiava pela data pois sabia que iria ter momentos agradáveis naquele dia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Já a semana subseqüente teria livre. Viajaria com os amigos para o litoral, onde iriam passar o ano novo. Iria chamar Paula porque muito lhe agradaria sua presumível presença. Sabia que seria uma semana bem divertida, a qual, também sabia, que iria se recordar com muita saudade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Olhou para o relógio e percebeu que estava atrasado para o encontro com Paula. Tomou banho e se trocou rápido. Foi à sala. Pegou a carteira em cima da mesa e a pôs no bolso detrás da calça. Observou os pais e o irmão caçula no sofá. Aproximou-se e se despediu de todos. Deu atenção maior à mãe, a qual beijou na parte de cima da cabeça. Sabia que ela se sentia orgulhosa com suas demonstrações de afeto. Saiu de casa e entrou no elevador. Olhou-se no espelho do elevador e penteou os cabelos com a mão. Chegou à garagem. Entrou no carro. E saiu do prédio cumprimentando o porteiro. Porém:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Alheio à Paula que esperaria irritada pelo atraso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Alheio à sua falta na última reunião do ano.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Alheio à apresentação de sua monografia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Alheio à sua efetivação na empresa. Ao seu futuro promissor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Alheio às festas de final de ano.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Alheio ao prazer de rever seus parentes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Alheio à sua agenda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Alheio à semana de férias.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Alheio à sua paixão por Paula.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Alheio aos jogos de bola com os amigos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Alheio ao beijo no topo da cabeça da mãe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Alheio à felicidade de seus pais. À família feliz que iria construir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Alheio à vontade de todos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Eduardo esqueceu-se de anotar em sua agenda um compromisso que teria pontualmente as dezessete horas e vinte e três minutos, de um Domingo, dia dezenove de Dezembro, no cruzamento da rua Desembargador Luís Antônio com a Avenida Marco Polo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;                                                                              &lt;/span&gt;JMottër, São Paulo, 4 de agosto de 2008&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-4660469556921792244?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/4660469556921792244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=4660469556921792244' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/4660469556921792244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/4660469556921792244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/08/norte.html' title='Norte'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-2678798654761776007</id><published>2008-07-15T17:29:00.000-07:00</published><updated>2008-07-19T14:09:55.769-07:00</updated><title type='text'>Bom dia, senhor, Rômulo o aguarda</title><content type='html'>Tudo sempre pareceu estranho, alheio, inútil...&lt;br /&gt;Simples gestos: dizer um bom dia, ou rir na hora certa, segurar no corrimão para não cair, sorrir por reflexo e educação, segurar o riso quando finalmente tenha achado graça...&lt;br /&gt;Lembro do tempo que amava o lugar onde vivia, hoje não há lugar que eu ame, então vago em busca daquele lugar, mas ele se perdeu no tempo. Agora, os lugares onde me encontro servem apenas de cenário para minha ausência.&lt;br /&gt;Observo terceiros a fim de reproduzir seus gestos cotidianos, imitá-los, executá-los, sem saber o porquê, sem questionar a finalidade, pois eles parecem saber mais de como se viver nesse mundo. Quero fazer parte, também, do cenário e passar despercebido.&lt;br /&gt;Encontro-me em estado de sonambulismo perpétuo, nada parece palpável, não vejo pessoas, não há sentido em pessoas quando elas são fantasmas em potencial. Tudo me parece supérfluo quando se sabe para aonde se vai.&lt;br /&gt;Há coisas que todos sabem, e todos sabem que todos sabem, mas não é falado por ninguém.&lt;br /&gt;Penso que a morte não igualará os homens, tampouco os manterá tais como aqui estão.&lt;br /&gt;Talvez o infinito iguale os homens. Pois, bilhões de anos são pífios diante do infinito, milésimos de segundo se equiparam a bilhões de anos, pois são igualmente pífios se comparados também ao infinito. Conceitua-se infinito, mas não há modo de o entendermos. O infinito constante me consola. Tudo ocorre aqui e agora, uma vida em um milésimo de segundo, todas as vidas em um milésimo de segundo, infinitamente. Nasce-se. Procria-se. Morre-se, tudo no presente do infinito constante, pois uma vida se equipara a um milésimo de segundo se ambos comparados ao infinito. Neste exato momento os bárbaros estão chegando a Roma, Paulo está espalhando o ideal cristão em Roma , que ainda parece imbatível.&lt;br /&gt;Escrevo, lêem, nasço, apaixono-me, procrio e morro no mesmo instante. E não obstante, o tempo passa sem meu consentimento, mais um dia vem sem que eu queira; então, hei de me concentrar para reproduzir os reflexos cotidianos mais uma vez, mesmo achando inútil e fútil. Quiçá tudo mude, saia na rua e veja Rômulo Augusto sendo deposto –penso que ainda não será, infelizmente, dessa vez-. Saio, pois, do elevador...Caminho em direção à rua, e antes que saia, escuto um fantasma lembrando-me que sou alheio a tudo, exigindo que eu o imite agindo por reflexo tal como ele, murmurar numa afável voz, com um sorriso igualmente afável rosto -talvez ele realmente goste de mim, penso-, enquanto me acena da guarita de porteiros:&lt;br /&gt;-Bom dia, senhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juliano Motter, Maceió, 15 de julho de 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-2678798654761776007?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/2678798654761776007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=2678798654761776007' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/2678798654761776007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/2678798654761776007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/07/bom-dia-senhor-rmulo-te-espera.html' title='Bom dia, senhor, Rômulo o aguarda'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-8610736679798078526</id><published>2008-06-07T23:16:00.000-07:00</published><updated>2008-07-16T08:36:13.097-07:00</updated><title type='text'>Da felicidade</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;I.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;É mais feliz quem aceita a própria condição&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;O ser do Homem é ser um ser infeliz&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;É feliz o homem qual aceita que não é feliz,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;Pois a felicidade não é deste mundo, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;E mais tristes são aqueles os quais sonham com o que não podem ter,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;Portanto, mais felizes os que sabem ser infelizes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;II.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;Quem é feliz não sabe que é feliz&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;No entanto,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;Se soubesse que é feliz, não saberia dizer o que é ser feliz&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;Pois se soubesse,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;Já não seria mais, então,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;Feliz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;E mesmo que soubesse, sendo feliz, dizer o que é ser feliz,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;Não se preocuparia em dizer e saber o que de fato é ser feliz.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;Tampouco se ataria a querer dizer como é ser feliz.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;Não obstante isso,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;&lt;br /&gt;Carrego felizes lembranças comigo, que de tão felizes, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;Pesam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: normal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juliano Motter, São Paulo, 8 de Junho de 2008&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-8610736679798078526?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/8610736679798078526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=8610736679798078526' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/8610736679798078526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/8610736679798078526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/06/i.html' title='Da felicidade'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-8884337707797047549</id><published>2008-05-10T02:18:00.000-07:00</published><updated>2008-05-11T12:57:18.368-07:00</updated><title type='text'>Estamos todos bem</title><content type='html'>Mamãe faleceu numa manhã ensolarada do dia 28 de abril. De longe, foi a pessoa mais forte que já conheci. Mesmo perto de sua morte, não aparentava sua fragilidade, o que me levava à crer que ela era, de certa forma, imortal.&lt;br /&gt;Durante toda a minha vida, nunca a vi com homem algum. Tampouco soube muito sobre meu pai. Ela sempre me dizia que ele havia morrido, embora, eu sempre intuísse que era mentira. Ao perguntar a meus familiares sobre meu pai, sempre era ludibriado. Não demorei muito para parar de me importar com tal assunto, provavelmente por por medo. Certo dia, ainda em minha infância, perguntei a ela se não tinha vontade de arranjar algum namorado, ela respondeu que eu já era o homem da casa, portanto, não havia necessidade de outro. Lembro-me que fiquei com meu ego de criança bastante inflado. E foi assim por muito tempo, eu sendo como o homem da casa. Éramos um casal perfeito, vivíamos felizes como se fosse para sempre, não nos faltava nada.E apesar de ter me criado em um âmbito bastante propenso para me tornar uma pessoa mimada, não considero que o tenha sido.&lt;br /&gt;Tive apenas uma única mulher em toda minha vida. Talvez, isso tenha se dado, por ter sido educado somente por uma mulher. Tive com minha ex-esposa duas meninas, minhas princesinhas. Sempre me esforcei para ser um bom pai. Policio-me todo instante, para nunca faltar com a atenção às minhas filhas, ainda mais depois de meu divórcio. Por conta disso, esqueci bastante de mamãe nos últimos anos de sua vida, visitando-a em raras vezes.&lt;br /&gt;Embora, em se tratando de velhos, a morte seja esperada por todos, inclusive por eles mesmos; não imaginava àquele momento o óbito de minha mãe. Estava voltando minhas atenções a outros assuntos de minha vida, tais como a separação e a situação de minhas filhas, e fui pego de surpresa. Obviamente, fiquei estarrecido com a notícia de sua morte, e a consciência me pesou por nunca mais ter oferecido atenção a ela. Lembro que toda vez que a visitava, ela ainda me tratava como se fosse eu, uma criança, preparava-me algo para comer e me fazia recomendações enquanto comíamos, perguntava das netinhas e se havia me reconciliado com sua nora, eu sempre respondia: “-Estamos todos bem. Não precisa se preocupar”. Não cheguei a informá-la que já havia me divorciado em vias de fato.&lt;br /&gt;Dona Carla, uma senhora, amiga de mamãe, quem a encontrou morta, sentada no sofá da sala, ao mesmo tempo em que o vinil no som girava já sem emitir nenhuma música. Imagino sempre a situação de sua morte, no que poderia estar pensando ela? O havia feito naquela manhã até então?&lt;br /&gt;Recentemente fui visitá-la, somente quando ia bater na porta é que me dei conta de que ela já havia morrido. Fiquei muito mais triste àquele momento do que quando fui informado da morte de fato. Mesmo assim, entrei em sua casa, a qual está a venda. Olhei para a poltrona em que ela foi encontrada morta, e decidi ir me sentar, ao me sentar percebi que o vinil ainda estava lá no som. Recordei-me de quando ela era jovem, e eu criança; de como era quando ela ainda tinha vigor, as tardes em que escutávamos música juntos, naquele mesmo som, enquanto arrumávamos a casa. Fui, então, até o som para ligá-lo, para saber o que ela escutava quando morreu, talvez fosse alguma música daquelas tardes.&lt;br /&gt;Terminou de arrumar a casa, como fazia diariamente, a velha senhora. Recordou do ex-marido, o único homem de sua vida, o qual nunca chegou a ser realmente seu marido. Recentemente pensava muito nele; se ele se casara de novo; se ele havia tido outros filhos; se ele estava ainda vivo. Até começar a sentir raiva dele e fazer força para parar de pensar sobre o assunto. Pensou o quanto seu filho estava parecido com o pai, ainda que não quisesse admitir que o pai era um homem muito mais bonito. Sentia falta de seu único filho, que nunca mais a havia visitado, e quando a visitava, era sempre em visitas rápidas. Lembrou-se de como costumava dançar com o ex-marido. Decidiu, então, colocar um antigo vinil para recordar. Colocou-o no aparelho de som, sentou-se na cadeira para esperar sua amiga, como vinha fazendo, todos os dias, nos últimos anos, e pensou o quanto ainda era apaixonada pelo ex-marido. Enquanto o vinil rodava, podia ver a si mesma, em uma imagem cada vez mais nítida, dançando na sala, como naquelas tardes felizes, que pareciam ser infinitas, com o único homem que amou em toda sua vida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Crazy, I'm crazy for feeling so lonely&lt;br /&gt;I'm crazy, crazy for feeling so blueI&lt;br /&gt;knew, you'd love me as long as you wanted&lt;br /&gt;And then someday you'd leave me for somebody new&lt;br /&gt;Worry, why do I let myself worry&lt;br /&gt;Wonderin', what in the world did I do&lt;br /&gt;Crazy, for thinkin' that my love could hold you&lt;br /&gt;I'm crazy for tryin', I'm crazy for cryin'&lt;br /&gt;And I'm crazy for lovin' you&lt;br /&gt;Crazy, for thinkin' that my love could hold you&lt;br /&gt;I'm crazy for tryin', I'm crazy for cryin'&lt;br /&gt;And I'm crazy for lovin' you”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-8884337707797047549?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/8884337707797047549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=8884337707797047549' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/8884337707797047549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/8884337707797047549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/05/estamos-todos-bem.html' title='Estamos todos bem'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-2638244991600080897</id><published>2008-04-21T23:48:00.000-07:00</published><updated>2008-04-23T08:01:00.646-07:00</updated><title type='text'>Saudade</title><content type='html'>Na língua espanhola, e em qualquer outra língua, não existe palavra equivalente à saudade. Porém, há no dialeto galego (no noroeste de Espanha, às margens do Atlântico) um vocábulo expressando a falta de algo ou alguém, também em forma de substantivo, é a: "Morrinha". Mas por que tal vocábulo não foi até hoje aderido pelos falantes de espanhol, limitando-se apenas a atuar naquela região de Espanha? Nunca têm, os espanhois, ou os alemães, ou os franceses, ou qualquer outro povo que seja, o sentir-se impotente da saudade? Penso que seja pelo fato de os portugueses, detentores da palavra "saudade", terem recebido de Deus o dom de navegar, o que resultou na missão de navegar. Tendo à frente, uma linha fria e infinita -a qual divide o Céu da Terra, a meta divina da terrena- , deixando para trás a felicidade que se constituiu em saudade. Assim, também, os galegos. Portanto, falantes da língua portuguesa, galegos ou navegadores, nascemos condenados à saudade, à morrinha e ao adeus. Se sinto saudade, é porque fui feliz àquele momento. Mas os próprios navegadores constataram que a Terra é redonda, e a saudade deixada atrás foi ressurgindo, tal quanto a fria linha do horizonte, desfazendo-se, reconstituiu-se na feliz praia da qual se partiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juliano Motter, São Paulo, 21 de Abril de 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-2638244991600080897?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/2638244991600080897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=2638244991600080897' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/2638244991600080897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/2638244991600080897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/04/saudade.html' title='Saudade'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-4259264065111332377</id><published>2008-03-15T19:49:00.000-07:00</published><updated>2008-04-09T11:13:52.132-07:00</updated><title type='text'>Mensagem</title><content type='html'>Do nascimento, da dor e da Felicidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"Acorda"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que horas são?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"Não há a hora. Apenas acorda."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"Porque é preciso acordares. Lembra-te de quando sofrias? Tu não sofrias"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"Simplesmente porque o sofrimento não existe"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"Compreendo a dificuldade de vislumbrares o que te digo. Mas se estamos predestinados a sermos felizes, cedo ou tarde; pois então já somos felizes, e a felicidade é eterna, e o sofrimento nunca existiu."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"Acordes, pois, não há outra predestinaçãco que a da felicidade, mesmo que seja triste acordares."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"-Tal sensação de estares em âmago tranqüilo"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"A maldade é a maior das ingenuidades, é a pura ignorância, e não é correto repudiar os ignorantes, devemos nos prestar a algo que possamos fazer, pois assim já fomos também, embora que jamais seremos outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não posso fazer nada por ti. A dor é tua. Nem eu, nem ninguém pode fazer nada por ti. Ainda que o amemos. Tu deves vivê-la de forma intensa, aproveitá-la, sabiamente, ao máximo. Não adianta protelá-la, e quando compreenderes o porquê de teres sido tu, compreenderás que não houve dor alguma, pois, como qualquer criatura, sempre esteves predestinado à felicidade. E se serás feliz, então já és feliz. Portanto, acorda e dê bom dia ao irmão Sol"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Da matéria&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"Não há como iluminar todo o mundo, o mundo todo. Pois há de ter o escuro para que se faça a luz algum dia e se saia do verbo. Há a luz para se enxergar a matéria, mas a matéria se esgota, por isso haverá de ter algo maior, e outras utilidades para a luz, algo que não cesse na matéria, que o faças enxergar no escuro. Mas, sabe-se que ele voltará, da mesma forma que se sabe que estás predestinado à Luz, à felicidade, por isso, não há o que temer."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"Vislumbres a perfeição. Agora peço que a encontre em qualquer canto ao teu redor. Tu não a acharás senão dentro de ti, em teus pensamentos, em teu coração. Como podes definir algo que não existe? Como podes imaginar algo que nunca existiu? Simplesmente tu não o podes. Tudo que se pensa existe, a matéria não é mais que um aspecto da realidade. Tudo que conhecemos possui matéria. Tudo que concebemos está já fora dela."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"Teu avô foi um bêbado. Teu pai foi um bêbado. Nem por isso terás que ser um bêbado. Lembro que vossas bocas engoliam as bocas das garrafas. Já vós são, agora, engolidos pelas bocas delas. Os animais não têm vícios. Se o sofrimento vem depois do prazer, o prazer é um vício, se o vem antes, estás então, no rumo certo. Pois como já o disse, se sofres tendo a felicidade à tua frente, já és feliz. Percebes a tênue diferença entre o vício e o sublime?&lt;br /&gt;Porém, importante ressaltar, que a felicidade não constitui uma meta, ela te constitui, nunca te esqueças. Se não assim for, terás que rever algo; muito provavelmente estarás, assim dessa tal forma, com alguma obsessão, terás que se desquitar dela, e não é fácil largar algo em que se houve dedicação, não é fácil amputar um membro podre, mesmo que seja para o bem-estar do resto todo. A matéria se apega fácil, apodrece, da mesma maneira, fácil também."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do dor (causada e recebida); da cegueira, do medo e da ingenuidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"Destaquemos duas formas de sofrimento: a primeira é a que os justos sofrem. A segunda a que os injustos sofrem por causar. Simplifiquemos: Imagines um homem de olhos vendados com uma espada de aço afiadíssimo na mão, por medo (só se teme no outro o que conheces, e não conheces nada que não estejas em ti. Se tu temes algo ou alguém, aquilo que temes está inscrito dentro de ti) da vulnerabilidade que a cegueira o deixa, desfere golpes a esmo, na tentativa de defender-se. Quando é chegada a hora de sua venda ser retirada, ele olhará em volta e verá que terá matado e mutilado irmãos seus que queriam lhe retirar a venda dos olhos, além de outros vendados com espadas na mão. De certo que os golpeados pelo aço, para vós, sofreram, estão mortos ou mutilados, porém, seus seres imateriais estão intactos e podem sentir cada vez mais o âmago tranqüilo por superarem mais uma expiação. Aquele que golpeou seus irmãos por medo, cegueira e ingenuidade, para vós não sofreu, está com o corpo sadio, apenas causou o sofrimento. Mas, quando a venda de seus olhos cair, e perceber que já é demasiado tarde, sentirá a culpa falando dentro de sua cabeça, e espinhos dentro do peito. Verá sua forma desprendida da matéria mutilada, e a carne sadia de nada vale se a alma não está sadia. Todavia, a culpa é o primeiro passo para a resignação. O mal degladia a si mesmo, cegos contra cegos, temendo os que enxergam. Aquele que causa o sofrimento age por ingenuidade, medo e cegueira."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juliano Motter e Sussuros, Bremen, 15 Março de 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-4259264065111332377?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/4259264065111332377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=4259264065111332377' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/4259264065111332377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/4259264065111332377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/03/mensagem.html' title='Mensagem'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-4237376002595273476</id><published>2008-02-06T23:15:00.000-08:00</published><updated>2008-02-06T23:29:16.717-08:00</updated><title type='text'>Mar maçante sem fim</title><content type='html'>Bilhões de pessoas com seus mundos e um mundo para cada bilhão de pessoas&lt;br /&gt;Soluções hipotéticas para bilhões de mundo e nenhuma solução para um só mundo&lt;br /&gt;Cabeças pensantes do abismo, criam para si um mundo patético e mais alguns bilhões de mundos hipotéticos&lt;br /&gt;Cria, tolo, na lógica dos mundos&lt;br /&gt;A certeza de que homens de outra parte da via Láctea também sofrem, ainda que pareçam que não, conforta-te, medíocre&lt;br /&gt;Sorrias! Pois os outros mundos estão sorrindo, ainda que não queiram. Disfarças o quanto podes!&lt;br /&gt;Pessoas de outros universos com seu mundo tão real, mesmo sendo tão ideal quanto o teu&lt;br /&gt;Conseguistes algo ao acordar e algo se vai com o entardecer&lt;br /&gt;Conseguistes algo durante o dia e o dia se vai com o Sol&lt;br /&gt;Conseguiistes algo ao adormecer e se vai o mundo com a Lua&lt;br /&gt;E continua. E se esvai. E se vai.&lt;br /&gt;Continuas! Mesmo que não haja motivo ou razão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo parecendo desmoronar o resto, palácios se erguem ao teu redor&lt;br /&gt;As pessoas trafegam sem um porque achando que sim&lt;br /&gt;Cousas passadas parecem erradas&lt;br /&gt;Cousas futuras se fizeram erradas&lt;br /&gt;Mas as tuas cousas serão passadas, absurdo!&lt;br /&gt;E parecerão erradas, em absoluto!&lt;br /&gt;É mais certa? Ou apenas alheia? Olvides porque te temas&lt;br /&gt;Como cada mundo é para com os bilhões de outros mundos ideais?&lt;br /&gt;Sinceros? Ou alheios?&lt;br /&gt;Pois os outros bilhões de mundo estão bem, e o teu desmorona enquanto constrói teu palácio, alteza-para-si-mesmo e com toda a razão, miserável&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabeças baixas com um infinito dentro do vazio preenchidos pelo tecido corroído de vermes&lt;br /&gt;O vazio faz-se cheio e então pesa, e o cheio faz-se infinito, então voas anestesiado de tanta dor&lt;br /&gt;No céu não há vermes!&lt;br /&gt;Rajadas te atingem pelo vazio, mesmo que não haja tecido&lt;br /&gt;Pessoas gritam, pessoas sussurram e tu procuras e tu não achas&lt;br /&gt;E então, és tu que gritas, e depois tu sussurras e não te acham, não te estendem a mão&lt;br /&gt;Não há nada além da lógica maçante das cousas&lt;br /&gt;Nem tua mulher, nem tua mãe, nem tua filha, nem Deus, nem você&lt;br /&gt;Tu vives. Tu sobrevives, mesmo que não haja motivo ou razão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se passa com os bilhões de mundos-perfeitos-para-os-outros e aquele único desastroso?&lt;br /&gt;O suposto. O maçante.&lt;br /&gt;Para onde se vai tudo quando tudo se desfaz? Para o fim da fila num processo previsível e infinito?&lt;br /&gt;Para o buraco negro, vazio, cheio, sem tecido, infinito, indefinido, do universo de todos os bilhões de mundos maçantes?&lt;br /&gt;É impreciso, ainda que calculem com a previsibilidade da natureza deste mundo.&lt;br /&gt;Teu mundo continua aqui, os bilhões de mundo que imaginavas já não existem&lt;br /&gt;És refém de um só mundo, de um só modo, dessa ruína que te cerca, dos vermes, ansiosos, que te esperam com água na boca. Ainda que aches que seja bilhões de mundos perfeitos&lt;br /&gt;És escravo de teus anseios pelo mundo dos outros&lt;br /&gt;Sentes desejos&lt;br /&gt;Mas quem não os sente?&lt;br /&gt;E teus anseios são de um único e problemático mundo perfeito&lt;br /&gt;Assim como os de bilhões de outros mundos egoístas&lt;br /&gt;Ou é um só anseio proveniente dos bilhões que te circundam como se fosses, tu, o Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E faz-se a lógica por ela mesma na junção de todas as cousas. E junto com os infinitos sonhos alcançáveis dos outros. Com os teus inalcançáveis anseios&lt;br /&gt;Mas não sabes falar do que sois, não sabes falar do que vos circunda, não sabes definir nada. Pois o indefinível és tu&lt;br /&gt;Apenas o que te sussurram nos ouvidos te vale. Ainda que seja dor.&lt;br /&gt;E o que é alheio aos mundos? Ao teu mundo?&lt;br /&gt;É prático, é irreversível, é surreal, é a Via Láctea, é o Universo, é o indefinido entre mundo e o espaço vazio dentro de ti, e dentre as bilhões de idéias naturais, bombardeadas de outros mundos da mesma galáxia com um porque duvidoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cria-se em algo. Então criava-se algo. Então se navegava. Então se navega. Eis que em tudo que se cria não havia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era apenas um mar sem fim, o qual se navega sem chegar a lugar algum. Não havia precipícios, tampouco monstros do além-mar. Apenas o infinito tédio, o ócio absoluto, resoluto na imaginção divina criada pelo homem. E a dolorida certeza que se fez, que se previa, que se protelou, de que estavas só, sem surpresas, sem aventuras ultramarinas, apenas só, preso a este mundo que se navega sem se chegar a lugar algum.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-4237376002595273476?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/4237376002595273476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=4237376002595273476' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/4237376002595273476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/4237376002595273476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/02/mar-maante-sem-fim.html' title='Mar maçante sem fim'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-2616618449897332360</id><published>2008-01-15T12:56:00.001-08:00</published><updated>2008-12-09T15:06:36.225-08:00</updated><title type='text'>Dom dom</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_kZ3LOmy_9h4/R40pGRwBgkI/AAAAAAAAAA4/Fw2soc4dI8U/s1600-h/T043607A.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5155822336229868098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kZ3LOmy_9h4/R40pGRwBgkI/AAAAAAAAAA4/Fw2soc4dI8U/s320/T043607A.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A luz do Sol está batendo na altura dos olhos , atrapalha para enxergar&lt;br /&gt;Fechas os olhos e vês tudo vermelho&lt;br /&gt;Escutas os gritos... O coro da torcida.&lt;br /&gt;Fechas os olhos e vêm lembranças ao acaso&lt;br /&gt;Queridas ou não, bem-vindas ou não&lt;br /&gt;Dos nossos descasos.&lt;br /&gt;Respiras fundo, coças a barba, o suor escorre pela costeleta mal feita&lt;br /&gt;Coças as partes baixas, levantas as mãos ao alto e solta um bocejo numa eterna Espreguiçada.&lt;br /&gt;Pensas que tem de fazer a barba, fazer as compras de casa, e ir olhar a dor na coluna&lt;br /&gt;O vento começa a soprar e balançar teus cabelos e aliviar um pouco do Sol.&lt;br /&gt;Aí, então, ele não te maltrata mais.&lt;br /&gt;A luz se acende e ele aparece&lt;br /&gt;A luz se apaga e ele vai embora&lt;br /&gt;A luz volta e tu ainda permaneces.&lt;br /&gt;Há de ter uma trégua&lt;br /&gt;Precisas se agarrar a algo, por isso há tanta invenção, tanta dúvida, tantos escritos.&lt;br /&gt;Tanta lógica ou falta dela.&lt;br /&gt;Achas lógica e depois esqueces a peça que dava lógica ao que achavas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És como o Sol&lt;br /&gt;Que iluminas&lt;br /&gt;Em troca, apagas todas as outras estrelas&lt;br /&gt;Mas penso sair ganhando nessa troca.&lt;br /&gt;Queima!&lt;br /&gt;Como queimas agora, e não como antes.&lt;br /&gt;O Sol de agora é como o Sol da Folga, não castiga, não incomoda.&lt;br /&gt;Quando ele se vai, não foi ele quem foi&lt;br /&gt;Fui eu quem fui com o mundo .&lt;br /&gt;Mudado. fico mudo.&lt;br /&gt;À noite, estrelas cujo brilho não entretém mais&lt;br /&gt;Entendiam-me, não entendem&lt;br /&gt;Ou eu quem mudei... Não interessa!&lt;br /&gt;Nada mais tanto me interessa! Nada mais tanto me apega&lt;br /&gt;Penso que nada pode me pegar&lt;br /&gt;Talvez elas nunca entenderam!&lt;br /&gt;E eu apenas duvido...Talvez invejo a fé dos outros a lógica cega dos outros.&lt;br /&gt;E eu só enganei, mais a mim do que tudo. Assim, penso, como tudo, como todos&lt;br /&gt;Atrás da peça para fazer a engrenagem funcionar&lt;br /&gt;Mas aí então ajo. Arrependo-me depois&lt;br /&gt;Mas tudo de bom coração, mesmo em miseráveis palavras, os deuses perdoam&lt;br /&gt;E haverá um tempo de redenção, onde não haverá arrependimentos, pois não haverá&lt;br /&gt;Necessidade.&lt;br /&gt;É o que dizem. Mas não vejo lógica. Sinto falta dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se desapareces, desapareço também.&lt;br /&gt;Por favor, apresse seu regresso!&lt;br /&gt;Um milhão de Estrelas ponho, por ti, em:&lt;br /&gt;Voga...&lt;br /&gt;Roga!&lt;br /&gt;Joga!&lt;br /&gt;Não por jogar, mas porque é tua Folga!&lt;br /&gt;Pois bem que não consigo mais jogar, e se jogares não é mais a folga...&lt;br /&gt;Raios relâmpagos e trovões despencam de madrugada mesmo que não exista Nessa cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infinitas estrelas de um milhão de galáxias não competem com o Sol&lt;br /&gt;Fracassos em infinitas palavras de miseráveis poetas.&lt;br /&gt;Fracassados! Não hão de vê-los no passado em seu presente no meu futuro.&lt;br /&gt;Falta-me algo, falta-me tanto e não sou capaz e sei disso e isso dói.&lt;br /&gt;Porém sou aliado ao sentimento, ao intento, ao invento. Tanto tento e não me &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Contento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro daquele boxeador de nossa vizinhança. Diziam que tinha talento.&lt;br /&gt;Ganhou algumas lutas até ter a chance de sua vida.&lt;br /&gt;Conseguiu lutar pelo cinturão de sua categoria [certo dia]&lt;br /&gt;Lembro de como ele estava empolgado.[estava confiante]&lt;br /&gt;Acho que todos estávamos.&lt;br /&gt;Mas o gongo tocou, e ele se foi para cima do campeão&lt;br /&gt;[Que haviam dito, não havia dado tanto interesse ao desafio].&lt;br /&gt;E então, todos percebemos...&lt;br /&gt;Nos primeiro instantes ele percebeu que jamais seria como o campeão&lt;br /&gt;Pois aliado a ele ninguém esteve.&lt;br /&gt;Conseguiu perder sem ser nocauteado [dando o seu máximo].&lt;br /&gt;Saiu acabado do ringue, mais do que literalmente acabado. Sua lógica havia&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acabado.&lt;br /&gt;Havia treinado tudo o que podia, dado tudo o que podia&lt;br /&gt;Mas, mesmo assim, ele não podia.&lt;br /&gt;Ficou acuado em seu córner e resistiu e persistiu e implorou aos deuses.&lt;br /&gt;Torceu do primeiro ao último assalto para a luta acabar e ele volver à sua família.&lt;br /&gt;E então todos percebemos que mesmo que tenhas razão, tu não podes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele que sabe um pouco a ponto de compreender um muito&lt;br /&gt;E saber que jamais será como o muito, por mais que se esforce&lt;br /&gt;Pois, aliado a ele, ninguém esteve n’outro lugar.&lt;br /&gt;Então. daqui a tempo olharei tais palavras e repreenderei este que vos escreve.&lt;br /&gt;Talvez, olharei para baixo, de cima&lt;br /&gt;E então irei novamente aos deuses de chapéu na mão rogando perdão&lt;br /&gt;Talvez olhando para cima, de baixo, talvez me sentindo como o boxeador&lt;br /&gt;Mas apenas restará perdoar a mim mesmo&lt;br /&gt;E eles me mandarão, então, jogar&lt;br /&gt;Mas ainda não será o tempo da redenção&lt;br /&gt;[Mal escrito, imaturo, sem talento]&lt;br /&gt;Mas eu Tento! Mas eu quero... Mas tu não podes, “filho mio”...&lt;br /&gt;E tais palavras ecoarão pela eternidade dentro de minha cabeça.&lt;br /&gt;Como os murros fizeram ecoar na cabeça do boxeador.&lt;br /&gt;Não consigo, mesmo assim prossigo, e vou indo, adiantando-me à falta de &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Talento.&lt;br /&gt;E quem sabe[talvez] eu até mereça. E quem sabe, algum dia, olharei para baixo,&lt;br /&gt;Mas aqui não é o mundo dos merecedores&lt;br /&gt;Nem dos amores amáveis.&lt;br /&gt;Hipotético!?&lt;br /&gt;Tudo que há me parece hipotético e patético.&lt;br /&gt;Porém, jamais olvidarei do empenho e veracidade em tais palavras neste momento&lt;br /&gt;E em momento algum!&lt;br /&gt;Mesmo que seja hipotético e patético.&lt;br /&gt;Se conseguisse colocar na ponta da pena metade do todo que penso que posso&lt;br /&gt;Das milhares de idéias geniais que surgem a esmo, as quais se perdem a esmo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Também. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Rimas que fariam Camões ser ignorado&lt;br /&gt;Poemas que nenhuma Pessoa sonhou&lt;br /&gt;Que nenhum Homero jamais informou&lt;br /&gt;Desculpas que nenhum deus ouviu ...&lt;br /&gt;Falaria do Amor como jamais Paulo algum conseguiu&lt;br /&gt;E então pela milésima vez, daquela vez, eles me perdoariam&lt;br /&gt;E falariam para eu me jogar.&lt;br /&gt;E eu, então, olharia para baixo, e com razão, de fato.&lt;br /&gt;Pois bem que não me vejo escravo de coisa alguma de coisa nenhuma&lt;br /&gt;Exceto de meus pensamentos geniais que se esvaem antes que eu possa exibi-los&lt;br /&gt;E Tu, que desses, não sais. Força-me a olhar para cima.&lt;br /&gt;Sinto-me feliz, não é isso o que importa?&lt;br /&gt;Mas é hipotético.&lt;br /&gt;E as idéias esquecem-me e recai com todo peso sobre os ombros e me vem, à porta,&lt;br /&gt;Culpa.&lt;br /&gt;E quando corro a pena novamente. Os pensamentos. Tu foges.&lt;br /&gt;Nem roguei, nem joguei e o tempo não se importou e passou. E não há mais&lt;br /&gt;Folga.&lt;br /&gt;O fato desconhece o tempo e o tempo é alheio ao fato&lt;br /&gt;Eles simplesmente ocorrem. E nunca se cruzam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desejo, então, apenas, conceber-me nas mil penas pensantes geniais,&lt;br /&gt;As quais te agradam. Antes de tua fuga&lt;br /&gt;Desejo me conceber na ponta da pena. Nas idéias que valem a pena&lt;br /&gt;Não para mim, mas por mim&lt;br /&gt;Para que todos saibam as inesgotáveis idéias geniais que tu me concedes&lt;br /&gt;Ao certo que me jogo para não errar, mesmo sabendo, no fundo, que não há Chance.&lt;br /&gt;Quantos e melhores e mais merecedores do que eu, também não quiseram&lt;br /&gt;Também não sentiram o fato da vitória antes do gongo soar.&lt;br /&gt;Mas o fato desconhece o tempo. E eles são alheios.&lt;br /&gt;Todos sonham, mas Deus, apenas se alia a alguns&lt;br /&gt;E só alguns estão aliados a Ele. Mesmo que não saibam.&lt;br /&gt;E eles não se conhecem.&lt;br /&gt;E eles não se concebem.&lt;br /&gt;Mas esses, de vez em vez se cruzam. Então, por desejo divino, corre-se a pena.&lt;br /&gt;Mesmo que eles não saibam.&lt;br /&gt;E mesmo sem se dar conta, tu és merecedor. E a conta sempre vem, e bate à sua&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Porta.&lt;br /&gt;Mas, então, tu não te importas.&lt;br /&gt;E se roga, joga-se e grita.&lt;br /&gt;Por isso poucos concebem, para que muitos entendam.&lt;br /&gt;Mesmo que ninguém queira, inclusive Deus. É assim que é!&lt;br /&gt;Mas não cabe a ninguém escolher para o que servir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao alvorecer do primeiro dia, vinha sobre águas diáfanas&lt;br /&gt;Como sempre veio&lt;br /&gt;Como um dia, &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;alguém quis que navegadores com saudades de casa viessem guiados pelas &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estrelas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[No seu infinito oceano, tento contornar os mares, desbravar em ti meus males]&lt;br /&gt;Mas, depois, apagaram-se as estrelas.&lt;br /&gt;Tantas esquinas do mundo, tormentosas, há em ti&lt;br /&gt;que nenhum Bartolomeu Dias bordejaria,&lt;br /&gt;tantos selvagens que nenhum Cabral conteria,&lt;br /&gt;tanta tragédia que nenhum Diogo Cão suportaria.&lt;br /&gt;Infinitas milhas que nenhum Vasco da gama percorreria.&lt;br /&gt;E eu bordejo e eu contenho e eu suporto e eu percorro.&lt;br /&gt;E tento e agüento e prossigo&lt;br /&gt;e quando não houver vento, invento, remo se preciso.&lt;br /&gt;e quando não houver estrelas, terei o Sol para me guiar&lt;br /&gt;e quando não houver Sol, eu correrei a pena antes que o tempo corra e o fato ocorra.&lt;br /&gt;Mas o fato ocorre e o tempo é cúmplice e necessário e sádico.&lt;br /&gt;Quando o que digo, de nada mais valer e o mar volver a separar,&lt;br /&gt;Quando o que tive e o que fiz e o que farei ninguém mais souber,&lt;br /&gt;Valerá de algo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrateiro como aqui se faz, do nada ascende e acende&lt;br /&gt;Do velho mundo para mudar meu mundo&lt;br /&gt;Do velho mundo para o infinito mundo&lt;br /&gt;Da agonia para a fantasia, da fantasia para a agonia&lt;br /&gt;Todo dia. Noite dia, noite dia, noite dia, noite dia, noite dia...&lt;br /&gt;Queima meu rosto, não consigo mais abrir os olhos&lt;br /&gt;Queima-me por dentro&lt;br /&gt;Arde-te minhas vísceras&lt;br /&gt;Pois maior do que isso. Não há maior tormento.&lt;br /&gt;Consigo me sentir bem, invencível, disposto com o Sol no rosto,&lt;br /&gt;Puro!&lt;br /&gt;E Inseguro com todo o escuro que o Sol e os deuses deixaram para nos guiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois daquela luta pelo título, o boxeador se mudou lá da vizinhança&lt;br /&gt;Disseram que casou com uma tal de Carolina&lt;br /&gt;Certo dia o encontrei na rua, ele me disse que já havia se divorciado&lt;br /&gt;Disse que havia retomado os treinamentos&lt;br /&gt;Mas que dessa vez sabia que jamais seria como quisera,&lt;br /&gt;Como acreditava, antes, que um dia poderia ser.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[Platão vive no mundo o qual ele criou? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um século depois, Alexandre tomou a península,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para a qual Platão criou soluções, hipotéticas e práticas&lt;br /&gt;As quais se aplicam ainda hoje, no então, ainda não descoberto, e no agora, novo mundo&lt;br /&gt;E em todo mundo ou qualquer outro que haja. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quatro séculos depois surgiria um judeu, na região da Galiléia, Yeshua, o nosso Jesus.&lt;br /&gt;Paulo espalharia as idéias de Yeshua pelo mundo, que ainda pertencia a Roma.&lt;br /&gt;Roma caiu!&lt;br /&gt;Agostinho, ainda não Santo, apropriaria-se de Platão para criar o céu e o inferno. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um milênio depois, o novo mundo seria (Re-)descoberto.&lt;br /&gt;Cinco séculos depois,na mais pura lógica, o boxeador criaria um (novo) novo mundo &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;para sua Carolina. Sem ringue, sem hipotético.&lt;br /&gt;O qual nem Platão imaginou, o qual nem o mais puro cristão poderia entrar.&lt;br /&gt;E toda vez que ele a via, Platão em seu mundo chorava.&lt;br /&gt;Pois, mesmo tendo “fundamentalizado” a perfeição de Cristo&lt;br /&gt;Ele não poderia imaginar a “fundamentalização” do menino para a imperfeição de Carolina.&lt;br /&gt;Não foi Aristóteles quem superou Platão, e sim o garoto com sua Carol&lt;br /&gt;Junto com toda a fé que tinha na lógica que ela gerava para si.&lt;br /&gt;Mas, a perfeita harmonia das imperfeições de Carolina se esvaíram para o rapaz&lt;br /&gt;E o mundo que ele criara para sua menina caiu, não pelos bárbaros, não por Alexandre.&lt;br /&gt;Mas pela hipotética lógica das coisas, alguma peça da engrenagem se quebrou. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como naquele dia em cima do ringue desafiando o campeão.&lt;br /&gt;Então, ele compreendeu o patético, novamente, pela primeira e última vez.&lt;br /&gt;[Ainda que saibamos que não]&lt;br /&gt;E Platão, de seu mundo, voltou a sorrir. E a engrenagem voltou a rodar]&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Maceió, 15 de Janeiro de 2008&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;À Tabacaria, e seus 80 anos(completados hoje)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Juliano Motter&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-2616618449897332360?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/2616618449897332360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=2616618449897332360' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/2616618449897332360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/2616618449897332360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2008/01/dom-dom.html' title='Dom dom'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_kZ3LOmy_9h4/R40pGRwBgkI/AAAAAAAAAA4/Fw2soc4dI8U/s72-c/T043607A.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-516389645501854761</id><published>2007-12-06T17:13:00.000-08:00</published><updated>2007-12-06T19:52:35.326-08:00</updated><title type='text'>Sobre os folhetins</title><content type='html'>O porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho através de meu escrito anunciar, como defino, uma humilde ambição pessoal. Publicarei folhetins neste blog. De maneira tal a construir um enredo, particionado, que envolava os leitores. Tal como os folhetins em certa época foram lançados, em partes, nos jornais. E de uma maneira, tentarei, terminar cada cena, cada capítulo, deixando um certo suspense, para que o leitor a leia, e fique curioso sobre o desenvolver da trama, retornando nos dias susequentes para saber o desenrolar da história. Bem como sabemos, para que tal se efetive, terei de ter qualidade em meus textos, além de paciência, engajamento e criativadade nas produções, virtudes as quais, inclusive eu, duvide que as tenha na medida suficiente para concluir o projeto da maneiro como pretendo. Terei que manter o suspense e o enredo, fato que jamais tentei, portanto não sei se consigo. Mesmo com tal pretensão, tentarei não cair em suspenses forçados, como muito se vê em produções de mal gosto. A máxima : "pretendo agradar mais a mim mesmo do que aos outros", embora seja um grande clichê, aplica-se de bom grado em minha ambição nos folhetins. Mesmo que, como todos, esteja desejando a elogios e aprovações dos que me avaliarão, mesmo que seja de forma levemente despretensiosa tal avaliação, e mesmo que seja um número bem próximo a zero os que irão acompanhar as publicações dos folhetins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente deve ter pensado naqueles clichês Românticos quando falei em publicar a novela em folhetins. Mas, minha história não terá semelhança alguma com tais obras, a não ser o fato de ser publicada por partes. Escreverei sobre outro clichê: alguém perdido em um mundo que não seja o seu, querendo volver à casa. Evidentemente, a história será puramente de ficção, sobre um tema, o qual já citei, abordado em seriados de suceso como Lost e Caverna do Dagrão. Esse último sendo de assumida influência sobre à minha narração, muito devido ao impacto que o desenho causou sobre minha geração, além das infinitas possibilidades de se fazer histórias com o assunto que ele aborda. Quem me conhece, sabe que nunca fui fanático por aventuras e ficções como essa, que muito mais me agradam poemas e histórias palatáveis, cheios de realidade, melancolia e carga emotiva, como você podem observar pelos outros textos de minha autoria já publicados nesse mesmo blog. Então, o que me levou a escrever sobre aventuras? Penso que não teria recursos para escrever sobre algo mais denso, a modo de produzir no leitor a gana de ler a história até o fim. Além de, infelizmente, para muitos, ser bastante mais atrativa e divertida uma história com ação e ficção, ao invés de monólogos sobre a realidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-516389645501854761?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/516389645501854761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=516389645501854761' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/516389645501854761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/516389645501854761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2007/12/sobre-os-folhetins.html' title='Sobre os folhetins'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-8985116034236848972</id><published>2007-11-25T19:38:00.001-08:00</published><updated>2008-04-08T23:14:28.143-07:00</updated><title type='text'>Cidade fantasma</title><content type='html'>Sabe, estava eu esperando alguma coisa pra depois disso tudo.&lt;br /&gt;Às vezes esquecia o que era mesmo, e aí então eu conseguia viver.&lt;br /&gt;Mas, de repente, chegava numa dessas cidades sem prefeito.&lt;br /&gt;Acho que reconheci alguns rostos.&lt;br /&gt;Rostos que de tanto que não via, pareciam que era coisa da minha imaginação.&lt;br /&gt;Aqueles rostos que nos sonhos nos são tão íntimos.&lt;br /&gt;E quando se acorda não se sabe o daonde daquela pessoa.&lt;br /&gt;Sabe aquelas pessoas que não se consegue entender quão estranhas nos são?&lt;br /&gt;Devido à sua grande familiaridade de antes?&lt;br /&gt;Achei que ia esquecer, mas não consigo.&lt;br /&gt;E aqueles que tento que não me pareçam estranhos&lt;br /&gt;até sairem de minha cabeça e parecerem coisa da minha imaginação.&lt;br /&gt;Esses vão entrando numa neblina&lt;br /&gt;e ficam com o rosto turvo por detrás da neblina.&lt;br /&gt;Até aquele dia de neblina em que os encontro naquela cidade.&lt;br /&gt;Ficamos em dúvida se realmente somos quem somos.&lt;br /&gt;Achávamos que esse rosto era criação da nossa cabeça.&lt;br /&gt;Até nos lembrarmos que ele existe sim, mas passamos reto&lt;br /&gt;Fingimos que não vimos um ao outro, acha-se mais conveniente assim.&lt;br /&gt;Não teríamos o que falar depois de tudo, mesmo tendo tanto.&lt;br /&gt;No começo dói não nos falar, mas cada vez mais, vamos nos falando menos.&lt;br /&gt;E aí não vai mais doendo, e então, vamos esquecendo e nos conformando&lt;br /&gt;até se esquecer um do outro, e achar que aquilo tudo era criação da sua cabeça.&lt;br /&gt;Vamos de frente a um espelho e por detrás de outro;&lt;br /&gt;sempre que avançando nos dá a impressão de estarmos retrocedendo.&lt;br /&gt;Mudamos alguns espelhos de lugar, mas sempre achamos outros,&lt;br /&gt;que outras pessoas também mudaram de lugar, os quais refletem coisas familiares.&lt;br /&gt;Até tinha esquecido, volto então, mas voltando me pareço estar avançando.&lt;br /&gt;Sempre nesse jogo de espelhos, numa cidade de espelhos, refletindo atrás do detrás, avançando parecendo retroceder.&lt;br /&gt;Sei que parece complicado, mas tenho certeza que você entende tão bem quanto eu o que digo.&lt;br /&gt;Retomando..Avançando parecendo estar voltando lá, crio coragem e vou bater em algumas portas.&lt;br /&gt;Atrás de alguns caras que eu costumava conhecer.&lt;br /&gt;Até percebo a cor diferente da parede do muro da frente.&lt;br /&gt;Consigo me lembrar de como bebíamos cerveja e dávamos risadas de frente a ele.&lt;br /&gt;Realmente me sentia feliz, e sabia que um dia entiria falta daquele momento.&lt;br /&gt;Esse dia chegou. E continua chegando toda vez que o Sol nasce.&lt;br /&gt;Toda vez que sinto o gosto ou o cheiro de cerveja, lembro daquelas tardes de sábado.&lt;br /&gt;Na lembrança elas estão sempre com neblinas, e se lá nunca tivesse neblinado&lt;br /&gt;eu me enganaria e pensaria que realmente neblinava naquelas tardes todas.&lt;br /&gt;Mas lá é um lugar muito feliz e quente para existir neblinas.&lt;br /&gt;Então, coragem me falta, e saio antes de alguém abrir e franzir o cenho tentando me reconhecer.&lt;br /&gt;Mesmo não querendo viver tudo aquilo de novo, gostaria de ver tudo de novo, de algum modo, algum dia, só pra me dar conta que estive longe por muito tempo.&lt;br /&gt;Só para sentir de novo aquela sensação boa que se sente, assim que se volta para casa depois de uma longa viagem.&lt;br /&gt;Mesmo sendo ela fracassada, a sensação é sempre boa.&lt;br /&gt;Aquela sensação de felicidade, dos primeiros milésimos de segundo, quando acordamos depois de um sonho tranqüilo, antes de nos dar conta da realidade,&lt;br /&gt;ou quando nos damos conta da realidade ao ver que está tudo bem depois de um pesadelo.&lt;br /&gt;Mesmo não achando terras novas, descobriu-se algo.&lt;br /&gt;E aquela alegria que existe antes de perceber que aquele lugar feliz o qual deixamos,&lt;br /&gt;é aquela cidade com neblina sem prefeito, sem perfeito, cheia de espelhos refletindo algo familiar.&lt;br /&gt;E então, sem perceber, você se tornou um fantasma, numa cidade fantasm, fria.&lt;br /&gt;E por mais que doa, a única opção é resignar-se.&lt;br /&gt;Pois fantasmas, estes, não pertencem mais a cidade alguma deste mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-8985116034236848972?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/8985116034236848972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=8985116034236848972' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/8985116034236848972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/8985116034236848972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2007/11/cidade-fantasma.html' title='Cidade fantasma'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-58131339924245617</id><published>2007-11-25T19:38:00.000-08:00</published><updated>2007-11-25T19:43:15.158-08:00</updated><title type='text'>Cidade, mar e mundo.</title><content type='html'>Ao alvorecer, vindo do mar findo, eram trezentas naus ultramarinas navegando ao infinito.&lt;br /&gt;Lá fora o dia amanhece. Os ônibus vão passando e pegando os primeiros passageiros.&lt;br /&gt;O tubo da pasta de dentes cada vez dura menos. O tubo da pomada idem.&lt;br /&gt;Lembro-me de quando não lembrava. Pensava ser infinita minha existência sobre a terra, preponderante minha vontade sobre as demais.&lt;br /&gt;Aquele gatinho, tão forte, tão esperto. Ficou miando pela casa, cego, sucumbindo à vontade dos gatos jovens, os quais pensavam serem eternos, tal como o, então, cego, um dia pensou.&lt;br /&gt;Lembro de meus avós ficando fracos, tal como meus pais também enrugaram e tal como, hoje, aceito a condição do fim. Lembrando de algo e esquecendo de amanhã.&lt;br /&gt;O que aconteceu com o garotinho que ganhou aquele gatinho? Pra onde eles foram? Será que algo deles se escondem por trás das lentes? Por debaixo das rugas? Será que em algum lugar do universo eles ainda existem? Voltarão a existir? Ainda são fortes? Se é que foram fortes.&lt;br /&gt;Preciso acreditar em algo, preciso continuar respirando. Preciso ter a fé do garotinho outra vez. Crer que as coisas são eternas, de que meus pais serão sempre jovens, fortes, belos.&lt;br /&gt;Agora só me resta o todo, o tudo, o mundo, meu mundo pelo menos.&lt;br /&gt;A padaria da esquina ainda faz pães, mas não os pães da minha infância.&lt;br /&gt;Algo em mim se perdeu, ou se achou. Porém, sei que o gosto do pão mudou, pelo menos para mim.&lt;br /&gt;Aquele senhor que os fazia não ensinou bem o ofício ao seu filho?&lt;br /&gt;E o mar? O mar de minha cidade. Será o mesmo mar oceano de El-Rei?&lt;br /&gt;Como pode minha cidade estar contida no mundo, se ela é o mundo?&lt;br /&gt;Como pode o mar inundá-la, se o mar é parte do mundo, e ela é maior que o mundo?&lt;br /&gt;Eram mares finitos, navegavam-nos, por si sós, com trezentas naus ultramarinas, ultrapassaram o Borjador, o cabo Tormentoso, circundaram o globo, construíram feitorias, fizeram uma parada em minha cidade, e deixaram mar e mundo infinitos.&lt;br /&gt;Mas mesmo assim são menores que minha cidade.&lt;br /&gt;Quanto à efemeridade das coisas, sinto-me invencível, interminável.&lt;br /&gt;Não tenho nada a perder. Mesmo sabendo que viver implica em morrer. Mesmo sabendo que um dia o mar irá submergir nossa existência.&lt;br /&gt;Mas em algum lugar, em alguma data, virão de novo pela primeira vez, trezentas naus, trazendo novidades do além mar, do infinito.&lt;br /&gt;Pães de milhares de anos sairão frescos do forno, o padeiro ensinará o ofício ao filho, o gato somente verá depois de perder a visão, eu reescreverei essas palavras, alguém as lerá, alguns entenderão, e o mar virá inundar minhas palavras, minha cidade, meu mundo, e o infinito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-58131339924245617?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/58131339924245617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=58131339924245617' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/58131339924245617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/58131339924245617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2007/11/cidade-mar-e-mundo.html' title='Cidade, mar e mundo.'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-7625320071456804878</id><published>2007-08-30T09:14:00.000-07:00</published><updated>2008-09-15T22:12:49.527-07:00</updated><title type='text'>Se eu tivesse um Dom</title><content type='html'>Ah se eu tivesse um dom;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elevaria meu tom,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mexer no som;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Construiría músicas como Bach,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destruiría o comum dos comuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos Imundos mundanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acharia arte em qualquer parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riría de Jean Paul Sartre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicaria ao jovem barbudo que se diz anti-liberal;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sua camisa comprada por $5 com a foto de "Che"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia sido fabricada na China pela pechincha de $0,05,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com mão-de-obra ilegal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Che" ficaria orgulhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que botar todos em igualdade é um pecado,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois quem talento tem não deve ser pertubado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faria uso da aliteração e assonância com uma ressonância,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como o jovem Chico um dia fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desmascaria aqueles que não têm dom,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestindo a máscara dos poucos que têm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazendo arte com a arte, a vendo em toda parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diria que não é bem assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zombaria dos poetas das rimas pobres,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobres, misturam ouro com cobre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não perdoaria aqueles que querem escrever&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sem saber a diferença&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre objeto indireto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E objeto direto preposicionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus versos seriam tal como aquele Pessoa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vou de vento em proa a algum lugar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lugar algum, quem sabe, cruzarei o cabo tormentoso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Farei de mim todo o orgulhoso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sempre serei aquele menino que era bom em tantas coisas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não era suficientemente bom em nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia, diversas vezes, pegado a estrada errada, e erraria de entrada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-7625320071456804878?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/7625320071456804878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=7625320071456804878' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/7625320071456804878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/7625320071456804878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2007/08/ah-se-eu-tivesse-um-dom.html' title='Se eu tivesse um Dom'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7700682374794641334.post-6156263568906460918</id><published>2007-08-27T18:01:00.000-07:00</published><updated>2007-08-27T18:23:34.014-07:00</updated><title type='text'>Aniversário</title><content type='html'>Às cinco e vinte da manhã ia embora o seu último convidado. Ainda meio tonto da noite de farra, foi para seu quarto e sentou-se na cama. Percebeu que amanhecia o dia e decidiu então olhar as horas, mas antes, desabotoou lentamente a camisa, num ato inconsciente, treinado. Então levou seu pulso até os olhos. Franziu o rosto tentando enxergar através daquela pequena claridade que aos poucos penetrava pela janela. Pelejou consigo mesmo, entre a vontade e a necessidade, tentando decidir se era melhor dormir, ou tomar um banho e ir trabalhar. Levou os dedos aos olhos, soltou um bocejo, e se pegou lembrando já com saudades da noite que acabara de viver, lembrou-se de como havia sido feliz nas últimas horas, recordou dos motivos tolos das risadas. Quando começou a reconstituir fatos através de flashes de bêbado, sentiu-se ridículo por frases constrangedoras que havia falado na festa. Depois pensou que estava certo, e até conseguiu sentir um certo orgulho.&lt;br /&gt;Tentou pensar no porquê das pessoas darem parabéns aos aniversariantes, pois se manter vivo durante mais um ano não lhe parecia um mérito, e sim algo natural, quase uma obrigação. Constrangia-lhe as máscaras sociais com que seus amigos se disfarçaram na festa, tentando entrar em círculos de conversas banais, irritava-lhe o falso interesse que fingiam ter em coisas tolas, das risadas inseguras forjadas por alguém qualquer, já que como era o anfitrião, conhecia todos bastante bem, e sabia que não eram aquilo que queriam parecer ser . E então sem motivo aparente algum, pegou-se lembrando de quando seu pai havia deixado a casa, de como sua mãe havia ficado infeliz. Não tinha boas lembranças de sua infância, ficava com raiva quando alguém o forçava a lembrar delas, as escondia dentro de si, por trás de sua própria máscara. Seria justo apontar-lhe inúmeros defeitos, porém, muito provavelmente pelas dores de infância, havia se tornado um excelente pai.&lt;br /&gt;Passou vinte anos com sua ex-esposa antes de se separar, o tempo que achou necessário criar o filho. Não era segredo o fato dele ter se casado sem amor, e sim porque a havia engravidado. Mesmo depois de anos não conseguiu amá-la como a uma esposa, e a ausência dela em seu aniversário era mais do que esperada, achou melhor assim, torceu para que assim fosse. Seu filho não pôde comparecer por estar estar estudando na Europa, mas fez questão de ligar dando-lhe os parabéns. Neste momento não conseguia esconder a alegria da ligação. Havia mandado ele para lá, pois de lá, tinha as melhores lembranças de sua vida. Sabia que seu filho não mostrava o mesmo entusiasmo pelo velho mundo que ele; sabia também que o havia mimado demais e o deixado um tanto fútil, sempre falava que gostaria de ter tido para ele, a juventude que proprocionara para o filho. Fora criado pela mãe e pelas irmãs, tendo muito pouco contato com seu pai. O viu poucas vezes depois dele ter saído de casa, a última um pouco antes dele morrer, foi o único que o visitou naquela circunstância, como sempre, disposto a dar-lhe o perdão do qual ele jamais pediu.&lt;br /&gt;Sua mãe foi a primeira a ir embora da festa, muito antes dos demais. Estava completamente deslocada, o barulho a incomodava, e como ela mesmo disse se justificando para ir embora, não tinha mais idade para aquilo, passou a festa recebendo a insistente assistência do filho, mesmo dizendo diversas vezes em vão que não era para ele se incomodar, porém, ele sempre respondia que aquilo não era incomodo algum. Antes dela ir embora, já na porta, levou a mão ao rosto do filho e disse: "-Não é porque você é meu filho que o acho a pessoa mais doce do mundo...Você se parece muito com seu pai." Lembrou-se então de como seus pais eram anos atrás, de quando eles iam passar os finais de semana naquela mesma casa de praia em que acabara de comemorar seu aniversário, de como seu pai mostrava- se para ele e para sua mãe, quando entrava no mar e nadava com um vigor físico invejável, enquanto mãe e filho ficavam sentados na areia assistindo a tudo com entusiasmo. Ver sua mãe fraca, idosa, com rugas no rosto, com um olhar distante e cansado, deixou-o desesperado, deu-se conta de que jamais havia percebido o quão velha ela estava. Lembrou-se de quando foi visitar seu avô, depois de quinze anos sem vê-lo, estava então com dezenove anos de idade.No momento em que viu a varanda da casa de seus avós, recordou-se da temporada que passou ali enquanto sua mãe se recuperava do choque da separação, procurou então pelo avô, e percebeu que ele era aquele velhinho fumando, sentado na cadeira de balanço, tentando esconder as lágrimas, emocionado com a presença do neto que não via há anos. Sempre disse que aquele velho foi o homem mais forte que já conhecera, para justificar isso, sempre descrevia como ele matava os bois. Os pegando pelas orelhas e iniciando uma briga, até o momento do boi se cansar e aceitar a condição da própria morte, aí então, sacava uma faca da bota e desferia-lhe um só golpe mortal na jugular. Vendo seu avô daquele jeito, ao olhar para seus olhos cheios de lágrimas, foi inevitável uma comparação com os olhos dos bovinos que ele matara em sua juventude. Quando dali foi embora, prometeu a sua tia, irmã da sua mãe, e que cuidou de seus avós até o momento de suas mortes, que não passaria mais tantos anos sem ir, os visitaria todos os anos. Cumpriu sua promessa.&lt;br /&gt;O último convidado a ir embora, foi Carolina. Ficaram conversando durante horas. Ele sempre fez questão de aproximar-se dela, muitas vezes sendo chato. deve-se atribuir isso o fato dela ter ido embora tão tarde, pois, sempre fazia de tudo para conseguir sua atenção na festa. Sempre foi assim. Jamais conseguiu esconder isso de alguém. Ele mesmo dizia, que dos inúmeros dons de Carolina, o que mais lhe agradava era de fazê-lo feliz.. Em sua presença era um hipócrita, pois vestia algumas máscara das quais tanto condenava. Quando ela foi as cinco e vinte da manhã, pensou se deveria tentar dar-lhe um beijo, mas faltou-lhe coragem, sentiu então um certo arrependimento. Sempre se julgou melhor do que os homens que ela teve, e fazia força para entender o motivo pelo qual ela jamais o aceitou. A conheceu quando estava com apenas dez anos de idade. No momento em que a reparou pela primeira vez, ela o olhou de volta, do modo que constrangeria e deixaria de guarda aberta o mais sério e autoconfiante dos homens. Nunca conseguiu ser seguro em sua presença, por isso vestia alguma máscara qualquer. Sempre comparou suas mulheres a ela. Quando deitava-se com suas promíscuas donzelas, sentia-se observado por aquela garotinha, e no instante de seu coito, podia até vê-la no canto do quarto, observando sua intimidade, de maneira igual àquele dia em que a observou pela primeira vez, com os mesmos olhos de louca, cincundada numa coroa de flores, com uma lágrima pendente, prestes a cair, em cada olho. Então deitava-se ao lado de sua parceira e sentia-se culpado.&lt;br /&gt;Às cinco e vinte sete, quando já havia decidido que iria tomar banho. Decidiu antes ir ao mar. Botando os pés descalços na areia, pôde observar Carolina com as sandálias nas mãos, afastando-se com passos cambaleantes pela praia. Pensou em chamá-la. Desistiu. Lembrou-se há quanto tempo não pisava descalço na areia, e de como conseguia correr na praia, quando era jovem. Parou para escutar o barulho do mar. Pensou o quão insignificante lhe pareciam os anos que viriam, tendo em vista os que se passaram. Lembrou do filho na Europa, mas sem saudade, pensou, e com razão, que do outro lado do oceano estaria ele. Lembrou-se que fora lá onde passou a melhor época de sua vida. Lembrou do pai se mostrando naquela mesma praia para ele e sua mãe. O sol já estava bastante nítido, embora começasse um tenro chuvisco. Olhou mais uma vez para Carolina, cada vez mais distante no horizonte, achou bonito seus contornos naquele vestido preto, cada vez mais embaçados pela distância, e a desejou uma última vez. Torceu para que ela olhasse para trás, até o momento de perdê-la de vista.&lt;br /&gt;Sentiu-se invencível, imbatível do mesmo modo como seu pai um dia se sentiu naquele mesmo mar, tirou os sapatos e a camisa, antes de entrar na água e começar nadar em direção ao sol que ia nascendo, em direção a Europa, aos melhores dias de sua vida. Enquanto ia se afastando, se via na areia, junto da mãe, os dois sorrindo, cada vez mais distantes, dando-lhe adeus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7700682374794641334-6156263568906460918?l=cronicasdomotter.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/feeds/6156263568906460918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7700682374794641334&amp;postID=6156263568906460918' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/6156263568906460918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7700682374794641334/posts/default/6156263568906460918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdomotter.blogspot.com/2007/08/aniversrio.html' title='Aniversário'/><author><name>Juliano Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00384617333211845536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
