quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Mar maçante sem fim

Bilhões de pessoas com seus mundos e um mundo para cada bilhão de pessoas
Soluções hipotéticas para bilhões de mundo e nenhuma solução para um só mundo
Cabeças pensantes do abismo, criam para si um mundo patético e mais alguns bilhões de mundos hipotéticos
Cria, tolo, na lógica dos mundos
A certeza de que homens de outra parte da via Láctea também sofrem, ainda que pareçam que não, conforta-te, medíocre
Sorrias! Pois os outros mundos estão sorrindo, ainda que não queiram. Disfarças o quanto podes!
Pessoas de outros universos com seu mundo tão real, mesmo sendo tão ideal quanto o teu
Conseguistes algo ao acordar e algo se vai com o entardecer
Conseguistes algo durante o dia e o dia se vai com o Sol
Conseguiistes algo ao adormecer e se vai o mundo com a Lua
E continua. E se esvai. E se vai.
Continuas! Mesmo que não haja motivo ou razão

Mesmo parecendo desmoronar o resto, palácios se erguem ao teu redor
As pessoas trafegam sem um porque achando que sim
Cousas passadas parecem erradas
Cousas futuras se fizeram erradas
Mas as tuas cousas serão passadas, absurdo!
E parecerão erradas, em absoluto!
É mais certa? Ou apenas alheia? Olvides porque te temas
Como cada mundo é para com os bilhões de outros mundos ideais?
Sinceros? Ou alheios?
Pois os outros bilhões de mundo estão bem, e o teu desmorona enquanto constrói teu palácio, alteza-para-si-mesmo e com toda a razão, miserável

Cabeças baixas com um infinito dentro do vazio preenchidos pelo tecido corroído de vermes
O vazio faz-se cheio e então pesa, e o cheio faz-se infinito, então voas anestesiado de tanta dor
No céu não há vermes!
Rajadas te atingem pelo vazio, mesmo que não haja tecido
Pessoas gritam, pessoas sussurram e tu procuras e tu não achas
E então, és tu que gritas, e depois tu sussurras e não te acham, não te estendem a mão
Não há nada além da lógica maçante das cousas
Nem tua mulher, nem tua mãe, nem tua filha, nem Deus, nem você
Tu vives. Tu sobrevives, mesmo que não haja motivo ou razão

O que se passa com os bilhões de mundos-perfeitos-para-os-outros e aquele único desastroso?
O suposto. O maçante.
Para onde se vai tudo quando tudo se desfaz? Para o fim da fila num processo previsível e infinito?
Para o buraco negro, vazio, cheio, sem tecido, infinito, indefinido, do universo de todos os bilhões de mundos maçantes?
É impreciso, ainda que calculem com a previsibilidade da natureza deste mundo.
Teu mundo continua aqui, os bilhões de mundo que imaginavas já não existem
És refém de um só mundo, de um só modo, dessa ruína que te cerca, dos vermes, ansiosos, que te esperam com água na boca. Ainda que aches que seja bilhões de mundos perfeitos
És escravo de teus anseios pelo mundo dos outros
Sentes desejos
Mas quem não os sente?
E teus anseios são de um único e problemático mundo perfeito
Assim como os de bilhões de outros mundos egoístas
Ou é um só anseio proveniente dos bilhões que te circundam como se fosses, tu, o Sol.

E faz-se a lógica por ela mesma na junção de todas as cousas. E junto com os infinitos sonhos alcançáveis dos outros. Com os teus inalcançáveis anseios
Mas não sabes falar do que sois, não sabes falar do que vos circunda, não sabes definir nada. Pois o indefinível és tu
Apenas o que te sussurram nos ouvidos te vale. Ainda que seja dor.
E o que é alheio aos mundos? Ao teu mundo?
É prático, é irreversível, é surreal, é a Via Láctea, é o Universo, é o indefinido entre mundo e o espaço vazio dentro de ti, e dentre as bilhões de idéias naturais, bombardeadas de outros mundos da mesma galáxia com um porque duvidoso.

Cria-se em algo. Então criava-se algo. Então se navegava. Então se navega. Eis que em tudo que se cria não havia.

Pior.

Era apenas um mar sem fim, o qual se navega sem chegar a lugar algum. Não havia precipícios, tampouco monstros do além-mar. Apenas o infinito tédio, o ócio absoluto, resoluto na imaginção divina criada pelo homem. E a dolorida certeza que se fez, que se previa, que se protelou, de que estavas só, sem surpresas, sem aventuras ultramarinas, apenas só, preso a este mundo que se navega sem se chegar a lugar algum.